Por Vinícius Fonseca*
Daqui 15 dias, quando essa coluna estiver de volta ao site da Rede Lume, já terão começado os jogos Paralímpicos ou Paraolímpicos – hoje as duas formas de escrita são aceitas -, Paris 2024. A competição, que reúne atletas com deficiência de todo o mundo é disputada desde 1960, sendo realizada posteriormente aos Jogos Olímpicos, sempre na mesma localidade escolhida para sediar a disputa das medalhas mais importantes do mundo, no caso de 2024, a capital francesa.
Para essa edição dos jogos, prevista para ocorrer entre 28 de agosto e 8 de setembro são esperados 4.400 atletas de 180 países, disputando 22 modalidades. O Brasil será representado por 255 atletas nos mais de 500 eventos esportivos valendo medalhas que veremos durante o evento.
Não vou falar do desempenho que espero do Brasil, nem dizer que quase sempre os atletas paraolímpicos têm desempenho melhor que os outros brasileiros. Acredito no espírito Olímpico e no fato de que independentemente da modalidade ou das condições físicas, representar o País por si só é algo incrível na vida de alguém. Quero mesmo é chamar a atenção para outro fato: será que veremos?
Confira aqui o calendário oficial dos Jogos Paralímpicos 2024.
Embora nossos atletas consigam excelentes resultados, o que percebo desde que passei a entender os Jogos é que a cobertura das Paraolimpíadas é infinitamente menor do que a das Olimpíadas, exceto por aquela velha ladainha de histórias de superação: “Olha como o fulano mesmo com todas as dificuldades de ser atleta e a deficiência consegue se destacar e blá, blá, blá”…
Parece até um roteiro ensaiado de quatro em quatro anos.
Não descarto o fenômeno da internet, que esse ano mostrou como a cobertura via stream pode alcançar números interessantes e “rivalizar” com a TV. Espero que não olhem só o dinheiro e façam uma cobertura digna do evento.
No entanto, meus olhos não estarão direcionados à Paris apenas por esse motivo. A preocupação com o espaço dado aos atletas e à cobertura do evento são minhas enquanto jornalista. O desejo de ter canais de transmissão passando os jogos para que eu possa assisti-los são minhas enquanto torcedor, mas ainda há uma terceira preocupação, essa enquanto humano.
Durante os Jogos Olímpicos de 2024, quem acompanhou mais apuradamente pode perceber muitas críticas as condições da Vila Olímpica. Instalações ruins, comida de gosto duvidoso e uma série de críticas feitas por atletas do mundo todo. Isso me fez ligar um alerta.
Pense comigo: se os Jogos Olímpicos, vou chamá-los de convencionais, são acompanhados pelos olhares de todos e já enfrentaram essas críticas, imagina o que não pode ser dos Paralímpicos, que não têm esse apelo todo da mídia? Além disso é preciso levar em conta que, a depender da deficiência, mesmo um atleta, pode necessitar de alguns suportes de acessibilidade.
Será capaz a organização do evento superar as críticas sofridas há poucas semanas e entregar um evento acessível e respeitoso para com a dignidade dos atletas. Não sei, mas meus olhos estarão em Paris.
*Vinícius Fonseca é pessoa com deficiência, jornalista, tecnólogo em gestão de Recursos Humanos com especialização em assessoria em Comunicação e M.B.A. em Gestão de pessoas. Também é escritor de poesias e contos, além de um eterno curioso.
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