Por Beatriz Herkenhoff*
A esperança é um sentimento que contribui para que eu realize meus desejos, sonhos e projetos.
A esperança traz luz para o fim do túnel.
Quando vivo a dor de uma perda e penso que tudo acabou, se resgato a esperança, ela se torna um farol que enfraquece os pensamentos negativos e fortalece a crença de que posso transformar a realidade.
A base da esperança é o amor e a fé.
Quando amo, vou ao encontro do outro que está sofrendo, coloco-me à serviço, contribuo para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e democrática. Perdoo, acolho, não me acomodo.

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.” (1 Corintos 13)
Quando passo por perdas, não preciso ficar presa ao sentimento de autopiedade, à vitimização, ao pessimismo, à raiva e à lamentação.
Posso esperançar nas adversidades.
Como afirmava Paulo Freire: “É preciso ter esperança do verbo esperançar, porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é levantar, é ir atrás, é construir, é não desistir.”
Quando vivo o verbo esperançar, coloco-me em movimento, edifico, ressignifico, não desanimo, não desisto, aproximo daqueles que passam por situações semelhantes.
Não importam as dificuldades, o esperançar é um ato coletivo, sozinha não sou nada, mas quando participo de redes de apoio, quando me envolvo em movimentos de solidariedade, de luta e de resistência, a esperança renasce, flui e gera mudanças.
Para Mário Sérgio Cortella, a esperança nos impulsiona a acreditar em tempos melhores. Estimula a perseverança, a certeza de que existem soluções.
A vida é imprevisível e nos surpreende com a morte de pessoas queridas, com separações amorosas, com o desemprego, com a falência de um negócio, com a fome, com a falta de moradia, com a discriminação e o racismo, com a exclusão, com a violência, com ambientes de trabalho tóxicos, com o desmatamento de nossas florestas, com a contaminação de rios e mares, com o autoritarismo, com a disseminação de mentiras e do ódio que dividem famílias e a sociedade.
Ficamos assustados e nos sentimos impotentes.
Vivemos dores que deixam feridas profundas, adoecemos física e psiquicamente. Entramos em depressão, desenvolvemos sintomas de ansiedade, nos isolamos e não acreditamos no amanhã. Perdemos a esperança.
Diante de tantos desafios, é preciso esperançar. Resgatar nossa energia de vida, a capacidade de amar, a beleza do mundo e das relações. Fortalecer os laços de amizade. Estar próximo daqueles que estão sofrendo. Ser sensível, generoso e solidário.
Quando caminho de mãos dadas com o outro, percebo que os meus problemas são menores do que eu imaginava. Ou se são maiores, sinto que não estou sozinho, que ao enfrentar os obstáculos em grupo, somos mais fortes.
A música do Titãs “Enquanto houver sol” nos convida a esperançar sempre.
Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma ideia vale uma vida
Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho
Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós, aonde Deus colocou
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Que lugar a esperança ocupa em seu coração?
Você fica no isolamento ou conjuga o verbo esperançar no meu dia a dia?
Enquanto houver sol, haverá amor e esperança. Não desista!
*Beatriz Herkenhoff é assistente social. Professora aposentada do Departamento de Serviço Social da UFES. Com doutorado pela PUC-SP. Autora do livro: “Por um triz: Crônicas sobre a vida em tempos de pandemia” (2021) e “Legados: Crônicas sobre a vida em qualquer tempo (2022)
