Suspeito seria o ex-marido da Kaingang que morreu no fim de semana em Nova Laranjeiras; Amior leva caso ao Conselho Estadual Indígena

Cecília França

Foto em destaque: Reprodução/Instagram Amior

A Polícia Civil de Laranjeiras do Sul, região central do estado, prendeu na quinta-feira (26) um homem indígena suspeito de ter estuprado a mulher de 22 anos que morreu em decorrência dos ferimentos no último fim de semana. O caso aconteceu em Nova Laranjeiras. O suspeito seria ex-marido da vítima, uma indígena da etnia Kaingang.

Em vídeo divulgado para a imprensa, o delegado de Laranjeiras do Sul, Marcelo Trevisan, diz que a provável causa da morte foi hemorragia, porém, esta confirmação só acontecerá após o resultado do exame de necrópsia. O delegado trata como “fake news” as notícias iniciais de que a mulher teria sofrido um estupro coletivo. De acordo com ele, essa informação “jamais se baseou em qualquer elemento concreto durante as investigações”.

Fontes ouvidas pela reportagem, no entanto, acreditam que os exames periciais podem comprovar que a indígena sofreu estupro por mais de um agressor, conforme informado por um portal de notícias da região de Nova Laranjeiras no mesmo dia em que ela foi atendida pelo Serviço Móvel de Urgência (SAMU).

A indígena foi encontrada por populares às margens da BR-277 e encaminhada ao hospital em Laranjeiras do Sul. Em decorrência da gravidade dos ferimentos, acabou transferida para Guarapuava, onde veio a falecer. O crime não teria ocorrido no local onde ela foi abandonada.

A Associação das Mulheres Indígenas Organizadas em Rede (Amior) vem noticiando o fato em suas redes sociais e cobrando “Justiça por Elza”, primeiro nome da vítima. A associação afirma ter motivos suficientes para acreditar que ela tenha sido vítima de estupro coletivo e aguarda os resultados dos exames para comprovar ou não a hipótese.

Na última terça-feira, a Amior levou o caso para reunião do Conselho Estadual dos Povos Indígenas, em Curitiba. “Exigimos que isso seja investigado com seriedade, porque nós, mulheres indígenas, precisamos viver, e viver em paz”, disse a representante da associação.

De acordo com a Polícia Civil, o inquérito policial que apura o crime de estupro seguido de morte, tendo o suspeito preso como acusado, deve ser concluído em breve.