Por Vinícius Fonseca*
As festas de fim de ano estão chegando e junto a elas a boa e velha troca de calendário. Logo chegarão novos 365 dias e os posts dizendo que são 365 novas oportunidades de fazer diferente, de realizar novos planos, novos sonhos. A tal renovação da esperança universal. A mesma de sempre.
Eu nunca me importei muito com essas festividades, embora já tenha participado de algumas, mas me importo (e muito!) com as chances que temos de fazer diferente. Sou um esperançoso incurável.
Este ainda não é o último texto do ano, mas gostaria de já compartilhar uma esperança, ou um sonho que levarei para 2025: perceber de ordem prática que a sociedade finalmente começa a entender que o lugar da Pessoa com Deficiência (PcD) é exatamente o lugar em que ela quiser estar. Sei que uma visão dessas, ainda mais em nível global, dependerá de bem mais do que um relógio marcando a zero hora. É preciso antes um compromisso social, uma união e uma aceitação coletiva.
Pessoas sem deficiência precisarão ser mais compreensivas e assim aceitar melhor àqueles que nasceram com alguma limitação, seja ela de qualquer ordem. O texto até aqui é quase utópico, no entanto, do que são feitos os sonhos?
Anos atrás quando me “ofereci” para escrever essa coluna fiquei surpreso e muito feliz quando ouvi que meu nome já era especulado para tal missão e que o pessoal da Lume estava apenas esperando que eu me oferecesse. Muitos textos depois entendo que mais do que escrever sobre o tema que circunda minha vida, pois sou PcD, ou falar de experiências de vida e traumas, eu precisava levantar a bandeira – bandeira essa que defende uma sociedade mais inclusiva não como um discurso, mas como algo possível.
Espero realmente que em 2025 caminhemos o mais próximos possível do possível, da sociedade possível, do mundo mais inclusivo possível, enfim…
E se você me pergunta, ok! E as pessoas com deficiência, o que é esse mundo mais inclusivo o possível para elas, na sua visão, Vinícius? Alcançá-lo é difícil. A resposta, porém, garanto que é simples: um mundo em que o PcD não seja visto como uma cota, ou como um problema de saúde, ou social para o Governo resolver e sim como um ser humano que pode estar em qualquer lugar que queira.
Um 2025 que rompa barreiras! Esse é o 2025 que espero. E já que o tema que originou esse texto são as festas de fim de ano, que tal uma bebidinha?
Gostaria de compartilhar com vocês o perfil do Ramon, lá tem um quadro muito bom, chamado Me down um drink: https://www.instagram.com/ramon.meister/?hl=en . Sim, nele, o Ramon, uma pessoa com síndrome de down, te ensinará a fazer vários drinks maravilhosos para beber não só durantes as festas, mas durante todo o 2025, porque como eu disse anteriormente, o lugar da pessoa com deficiência é onde ela quiser que seja.
Em um 2025 mais inclusivo é tudo o que espero, que possamos aprender como humanidade, crescer nas nossas diferenças e celebrar nossas semelhanças, sempre com um objetivo, que parafraseando o próprio Ramon é: “Ser feliz”. Uma última coisinha: beba com moderação.
*Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente.
