Manifestação marcada para o primeiro dia de sessão na Câmara visa mostrar prejuízos da junção secretarias de Políticas para as Mulheres, do Idoso e da Assistência Social
Cecília França
Mais de 40 movimentos e entidades sociais seguem mobilizados com o intuito de evitar a fusão das secretarias de Políticas para as Mulheres, do Idoso e da Assistência Social, como anunciado pela gestão Tiago Amaral (PSD). As pastas, segundo a proposta, serão reunidas na nova Secretaria da Família e Desenvolvimento Social, tendo a empresária Marisol Chiesa à frente. No momento, ela acumula as três secretarias.
Na última terça-feira, Marisol foi ouvido pelo Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (CMDM), a pedido do órgão. Agora, os movimentos convocam apoiadores para estarem presentes na primeira sessão da Câmara de Vereadores de 2025, na próxima terça-feira, 4 de fevereiro.
A fusão das secretarias faz parte da reforma administrativa que a nova gestão pretende enviar à Câmara para votação, ainda sem data prevista.
‘Não há projeto’
A presidenta do CMDM, Sueli Galhardi, conta que o conselho foi surpreendido, ontem, com a fala da secretária sobre não existir um projeto ainda definido de como funcionará a nova secretaria.
“O que nos causou um espanto é que não existe, segundo ela, uma proposta escrita, que não existe ainda uma proposta. Então é muito complicado você discutir palavras soltas – fusão, integração, reordenamento – mas não existe uma proposta. Dado isso, tiramos o encaminhamento do Conselho do Municipal dos Direitos das Mulheres para que ela nos apresente por escrito essa proposta e que possamos compor uma comissão com as três políticas para que a gente possa discutir essas questões”, relata Sueli.
Para a presidenta do CMDM é “inadmissível” que, passado quase um mês de gestão, nenhum conselho ou movimento representativo das três políticas (Mulheres, Idosos e Assistência Social) tenha sido chamado para dialogar.
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‘Vamos ouvir servidores da ponta’
Em nota enviada à reportagem, a secretária municipal de Assistência Social, de Políticas para as Mulheres e do Idoso, Marisol Chiesa, ressaltou que a fusão se trata de uma “reorganização”, insistindo que “Não há extinção de secretarias, mas uma reorganização”.
Também enfatizou que a proposta “está sendo construída, sem pressa, e vamos ouvir os servidores que estão na ponta”.
Marisol afirma que “não haverá prejuízo em políticas públicas. Nenhum dos serviços será prejudicado, as especificidades de cada política será mantida, assegurando o tratamento integral e humanizado de todas as pessoas. O meu perfil é de alinhamento e construção.”
Para Sueli Galhardi a fala da secretária reduz as políticas públicas a execução de serviços. “O que eles colocam é que os serviços não sofrerão prejuízo. Sofrerão sim, porque isso implica na redução de recursos para o município, isso reduz qualquer implementação de política. Hoje nós já temos poucos servidores e servidoras que dão conta de tocar essa máquina, então claro que isso vai afetar diretamente a população na redução dos serviços”, contesta.
Mobilização de vereadores
Para os mais de 40 movimentos que assinaram o manifesto proposto por representantes das três políticas, a proposta não é de fusão, mas de extinção das secretarias. “Não teremos mais a Secretaria Municipal do Idoso, não teremos a Secretaria de Políticas para as Mulheres e não teremos a Secretaria municipal da Assistência Social, com uma política nacional, de um sistema nacional, que é o SUAS (Sistema Único de Assistência Social). Nós realmente não podemos aceitar”, diz Sueli.
Com o intuito de mobilizar os vereadores e vereadoras, que precisam aprovar a proposta, os movimentos marcaram manifestação em frente à Câmara no dia 4 de fevereiro, a partir das 13h.
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