Manifestações pela morte de Kelvin, de 16 anos, e Wender, de 20, tomaram Londrina nesta segunda-feira

Cecília França e Nelson Bortolin

“Não foi confronto, foi execução”. Essas foram as principais palavras de ordem repetidas durante a manifestação realizada na tarde de segunda-feira (17), na Avenida Brasília, na altura do Jardim Nossa Senhora da Paz, a conhecida Favela da Bratac. Dezenas de moradores protestaram por causa das mortes do jovem Wender da Costa, 20 anos, e do adolescente Kevin, 16 anos, pela Polícia Militar na noite do sábado (15).

Manifestações aconteceram ao mesmo tempo em ao menos outros três pontos de Londrina, e resultaram na queima de um ônibus, conforme informado pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). O transporte coletivo chegou a ser suspenso na noite de segunda, retornando a partir das 6h desta terça-feira.

A versão da polícia para a morte dos jovens é que eles foram abordados num carro que anteriormente havia sido usado para furtos em residências. Eles teriam reagido armados e, por isso, foi preciso matá-los.

As famílias contestam. Elas sustentam que os dois estavam trabalhando no lava-jato e que usaram um dos carros que havia acabado de ser lavado para buscar bebidas numa conveniência próximas à Bratac, onde foram abordados. Eles teriam descido do carro de mãos levantadas e, mesmo assim, foram alvejados com vários tiros. Os familiares acreditam que a polícia plantou armas junto aos corpos.

Manifestantes exibem carteira de trabalho e certificado de Wender durante protesto/Rede Lume

“Só um tiro mata”

A mãe do adolescente Kelvin, Cirlene, tomou o microfone durante o protesto na Bratac para relembrar os últimos momentos do filho em um aniversário e sustentou que ele não tinha envolvimento com o crime. Ela também pediu que autoridades como prefeito e governador se comprometam com a instalação de câmeras nas fardas dos policiais, um pleito antigo do grupo Justiça por Almas-Mães de Luto em Luta, formado em Londrina.

Cirlene condenou o que chama de execução, dado o número de tiros disparados. “Tanto tiro que eles levaram, tanto, tanto, que a gente não conseguia nem entrar no IML pra ver”.

Assista a fala completa:

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“Foi uma covardia”

Muito abalada, Vanessa, mãe de Wender, de 20 anos, também contestou a versão de que o filho teria confrontado a polícia.

Assista:

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