Elas pediram apoio para uma investigação imparcial das mortes de Kelvin e Wender, de 16 e 20 anos, ocorridas no fim de semana

Cecília França

Foto em destaque: Filipe Barbosa

As mães dos dois jovens mortos pela Polícia Militar no sábado (15), no Jardim Santiago, foram até o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público nesta terça-feira (18) pedir imparcialidade na investigação do caso. Wender Natan da Costa, de 20 anos, e Kelvin Willian Vieira dos Santos, de 16, foram mortos com vários disparos logo após saírem de uma conveniência. Segundo a polícia, eles estavam armados.

As mães, Sirlene e Vanessa, contestam e dizem que os filhos eram trabalhadores. Kelvin ainda estudava e tinha boas notas. O boletim escolar do adolescente foi uma das provas juntadas pela mãe na defesa, que está a cargo da advogada Iassodara Ribeiro.

Durante a reunião, o delegado do Gaeco, Ricardo Jorge Pereira Filho, explicou as atribuições do órgão e garantiu que acompanhará o desenrolar das investigações pela Polícia Civil, sem a necessidade de abertura de um inquérito independente. Participaram da reunião representantes da Ordem dos Advogados do Brasil-Subseção Londrina, do Centro de Direitos Humanos (CDH Londrina) e dos mandatos do deputado estadual Renato Freitas e do deputado federal Tadeu Veneri.

“Existe um processo instaurado (na Polícia Civil) e nada indica que ele não será desenvolvido”, afirmou o delegado. “O objetivo é provar se houve ou não confronto”.

Leia também: Corregedoria da PM vai investigar ação que resultou na morte de jovens

Registro da reunião com o delegado/Cecília França

O MP começou a agir no caso já na segunda-feira, por meio da titular da 24ª Promotoria, Susana de Lacerda, que era a plantonista no fim de semana. Ela encaminhou ofício ao Gaeco e ao delegado da Delegacia de Homicídios solicitando medidas.

Apoio popular

Em frente ao Ministério Público, dezenas de pessoas empunhavam faixas contra a violência policial e por justiça. Um dos participantes da manifestação já sentiu na pele a dor da perda repentina do filho. Adenilson Rodrigues de Jesus é pai de Cristiano, morto pela polícia de Londrina em abril de 2021.

Na época, a morte de Cristiano mobilizou populares. Moradores realizaram três dias de protesto, fechando a Avenida Dez de Dezembro. O caso, porém, acabou arquivado. Ele espera que haja outro desfecho para as mortes de Kelvin e Wender.

“Eu não tenho a filmagem do meu filho trabalhando, mas ele trabalhava comigo. Tem os patrões meus que viam ele trabalhando comigo. Agora aqui é diferente. Tem a filmagem dos meninos trabalhando, deles comprando a bebida. Se fossem ladrões, eles não iriam comprar, iriam roubar. Você não acha? Não tem lógica”, afirma.

Leia também: ‘Se enganaram com esses meninos’, diz mãe de adolescente morto pela polícia

Para Adenilson é preciso continuar com as manifestações, de forma pacífica.

“Eu nunca imaginei que isso ia chegar na minha casa; ela (referindo-se à mãe de Kelvin) nunca imaginou que isso iria chegar na casa dela. E se a gente não der voz, fazer um protesto pacífico, a gente não vai ser ouvido”, afirma.

As manifestações iniciadas no domingo seguiram hoje, na pracinha do bairro Nossa Senhora da Paz, a Favela da Bratac. Ouça fala da mãe de Kelvin nesta manhã:

A Lume faz jornalismo independente em Londrina e precisa do seu apoio. Curta, compartilhe nosso conteúdo e, quando sobrar uma graninha, fortaleça nossa caminhada pelo PIX. A chave é o CNPJ 31.330.750/0001-55.