Reunião em Brasília traçou estratégias para controle da letalidade policial

Nelson Bortolin

Familiares de pessoas mortas pela polícia se reuniram nesta segunda-feira (17) com o defensor público federal Leonardo Cardoso de Magalhães em Brasília. Durante a reunião, foram discutidas medidas visando a redução da violência policial e a proteção das famílias. Haydee Melo, integrante do Movimento Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta, de Londrina, participou do encontro na sede da Defensoria Pública da União (DPU).

“Foi uma reunião positiva. O defensor geral se mostrou sensibilizado com a situação das famílias atingidas pela violência policial, e foram trabalhadas várias ideias na reunião para enfrentar esse problema”, afirma Melo.

Haydee Melo (terceira da dir. para esq)

Uma das ideias, segundo ela, é aproveitar a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) das Favelas, ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) visando a reduzir a letalidade policial nas comunidades do Rio de Janeiro, para estabelecer um protocolo que possa valer para a atuação das forças de segurança em todo o País.

Outra proposta é viabilizar uma legislação que garanta proteção aos familiares de pessoas mortas pela polícia. “Discutimos também iniciativas que podem ser tomadas pelas Defensorias nos estados, visando a proteção das famílias, contra as ameaças que sofrem por exigir justiça para seus entes queridos”, alega Lopes.

De acordo com a londrinense, não basta punir os policiais que cometem crimes. “É preciso parar o sistema que produz e reproduz esse tipo de policial, ou seja, cortar o mal pela raiz, acabar com essa doutrina militarista que domina as instituições de segurança pública em nosso País.”

A representante de Londrina destacou também que mudar a realidade da violência policial depende de pressão sobre as autoridades. “Nossa união é a nossa luta e nossa força para conseguirmos os nossos objetivos.”

A agenda na DPU é desdobramento de uma audiência realizada na Câmara dos Deputados, dia 11 de dezembro de 2024, da qual também participaram integrantes do Justiça por Almas.

Numa rede social, o chefe da DPU postou: “Hoje foi dia de escuta e luta.
Atendi mães e familiares de vítimas de violência policial para dialogar sobre a construção de um protocolo de acolhimento às famílias e proteção de defensores de direitos humanos.”