Jornalista Isabely Ramos apresentou análise durante Simpósio de Comunicação Popular e Comunitária na UEL
Cecília França
A cobertura realizada pela Rede Lume sobre as mortes dos jovens Kelvin Willian Vieira dos Santos, de 16 anos, e Wender Natan da Costa Bento, de 20 anos, pela Polícia Militar em Londrina foi tema de exposição no Simpósio de Comunicação Popular e Comunitária na UEL, realizado entre os dias 23 e 25 de abril. A análise, realizada pela jornalista Isabely Ramos, integrante do coletivo Ciranda da Paz, também resultará em um artigo científico.
Em sua apresentação, intitulada “Comunicação Popular e Comunitária em Londrina: A cobertura do caso Wender e Kelvin pela Rede Lume”, Isabely comparou a cobertura da imprensa independente com a da mídia tradicional (hegemônica). Concluiu que a Rede Lume se diferenciou por ter estado no território desde a ocorrência das mortes, ouvindo amigos e familiares dos jovens e possibilitando uma narrativa a partir de quem os conhecia.
As mortes de Kelvin e Wender, moradores do bairro Nossa Senhora da Paz, a Favela da Bratac, aconteceu no dia 15 de fevereiro de 2025 e causou revolta na população, que rejeita a teoria de confronto apresentada pela PM. Essa teoria, porém, foi acatada de imediato pela mídia hegemônica, como demonstrou Isabely em seu trabalho, apresentando trechos de reportagens:

Humanização das vítimas
Laudo preliminar sobre as mortes mostra que Wender levou 12 tiros, sendo um na mão, e os demais nos braços e tórax. No corpo do adolescente Kelvin foram encontradas nove perfurações. No carro ocupado pelos jovens havia seis marcas de tiros. Nenhum policial foi ferido na abordagem.
Mestranda em Comunicação Popular e Comunitária, Isabely aponta que a Rede Lume buscou contato com amigos e familiares dos jovens logo após o velório, acompanhando seus relatos e de movimentos sociais e recusando a narrativa oficial de confronto. Com isso, conseguiu construir uma representação das identidades dos jovens a partir de quem os conhecia.
Algumas reportagens e postagens citadas no trabalho:
“Se enganaram com esses meninos”, diz mãe de adolescente durante protesto
Vanessa, mãe de Wender, fala sobre execução dos jovens após o caso
Manifestação no local da morte dos jovens e falas da família

Outro ponto positivo da cobertura independente realizada pela Rede Lume foi a proximidade com movimentos sociais, aponta a jornalista. Ela segue demonstrando como o site acompanhou a cronologia do caso mostrando a opressão vivida pela população após os protestos pelas mortes.
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“O caso de Wender e Kelvin evidencia a realidade de violência policial e a necropolítica em ação em Londrina, onde os jovens negros são frequentemente alvo de ações letais” trecho do trabalho de Isabely Ramos
Fontes oficiais
A jornalista Isabely Ramos também apresenta reportagens e postagens da Rede Lume nas quais foram ouvidas e repercutidas falas de fontes oficiais, porém, sempre de forma questionadora, além de destacar a atuação de políticos engajados no combate à letalidade policial, como o deputado estadual Renato Freitas (PT).
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Decisão sobre câmeras para policiais precisa ser cautelosa, diz promotor
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Conclusão
Para construir a narrativa de sua análise, a jornalista ouviu moradores da comunidade sobre os principais diferenciais da cobertura realizada pela imprensa independente. Veja abaixo:
Isabely Ramos conclui que o trabalho independente e com viés comunitário realizado pela Rede Lume tem sido essencial para visibilizar violações de direitos humanos em Londrina.”A Rede Lume tem desempenhado um papel crucial na cobertura jornalística independente e comunitária e na denúncia de viola~oes de diretos humanos em Londrina; oferecendo uma plataforma para as vozes da comunidade e contribuindo para a conscientização e mobilização social.”
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