O Justiça Por Almas pediu ao presidente que o governo federal tome medidas para conter a letalidade policial

Integrantes do Movimento Justiça Por Almas – Mães de Luto em Luta, que representa familiares de pessoas mortas pela Polícia em Londrina e região, entregaram nesta quinta-feira (29) ao presidente Lula um documento denunciando a alta letalidade policial no Estado do Paraná e pedindo providências do governo federal para tratar desse problema.

Lula esteve na região para formalizar a criação do assentamento de trabalhadores sem-terra Maila Sabrina, entre os municípios de Ortigueira e Faxinal. O encontro do Justiça Por Almas com o presidente foi viabilizado pelo deputado federal Tadeu Veneri (PT).

Além dos dados sobre a violência policial em Londrina, o documento entregue a Lula pede ao governo que ajude a garantir que as mortes provocadas por policiais sejam investigadas com o mesmo rigor que qualquer outro homicídio e que seja fortalecida a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais por todos os agentes de segurança pública.

O movimento ainda pede ao presidente que crie mecanismos federais de controle, monitoramento e responsabilização da letalidade policial, especialmente “nos estados onde governos são coniventes ou omissos”. Por último, o Movimento pede a Lula que os familiares de vítimas da violência do Estado sejam apoiados, protegidos e ouvidos.

Com a agenda bastante apertada, Lula não teve tempo de discutir o documento com as representantes do Justiça Por Almas, mas prometeu lê-lo com atenção. Já a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, que também recebeu uma cópia, conversou com as representantes do Movimento, conforme afirma a coordenadora Haydee Melo. “A ministra disse que terá uma reunião com mulheres delegadas e vai tratar desse problema com elas. Ela nos disse que a letalidade policial é um tema muito em alta no Brasil todo.”
Além de Lula, vieram para a solenidade os ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Fernando Haddad (Fazenda), Márcia Lopes (Mulheres), Gleisi Hoffman (Relações Institucionais) e Silvio Costa (Portos e Aeroportos).

Conversa com desembargador

As representantes do Movimento Justiça Por Almas aproveitaram para discutir a letalidade policial e entregar uma cópia do documento ao desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, Fernando Antonio Prazeres, que integra a Comissão Nacional de Soluções Fundiárias do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele solidarizou-se com as familiares e disse que, mesmo não atuando na área criminal, quer vir a Londrina para conhecer os casos de mortes pela Polícia. “Ele disse que gostaria de ter uma reunião com os familiares do nosso Movimento”, ressaltou Haydee.

Além dela, que é tia do jovem Willian Jones Faramilio da Silva Junior, morto pela PM em maio de 2022 aos 18 anos, esteve representando o Justiça Por Almas na solenidade a servidora pública Marilene Ferraz da Silva Santos, mãe de Davi Gregório Ferraz dos Santos, que tinha apenas 15 anos quando foi morto pela polícia, em julho do mesmo ano.

Clique aqui para ler o documento entregue pelo Justiça Por Almas ao presidente Lula.