Por Vinícius Fonseca*

A Lei nº 13.146, que estabelece o Estatuto da Pessoa com Deficiência, está completando dez anos de sua promulgação e um dos aspectos mais comentados desde então é de como, depois de entrar em vigor, o documento permitiu às Pessoas com Deficiência (PcDs) terem mais acesso e visibilidade, sobretudo no mercado de trabalho.

De fato, a lei prevê cotas de 1% a 5% de seus funcionários sendo PcDs, se a empresa tiver a partir de 101 empregados. Também diz que o profissional com deficiência deve ser tratado com respeito e não sofrer discriminações no trabalho, além de que, ao sinal da necessidade da saída de um trabalhador com deficiência, a empresa deve comprometer-se a “substituir” esse profissional por outro também com deficiência.

Todos esses pontos tornaram o mercado de trabalho mais acessível ao profissional que tenha deficiência, seja desde o seu nascimento, ou adquirida ao longo da vida. No entanto, a prática nos revela que a realidade não é de flores.

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Segundo dados de uma recente pesquisa, 80% das pessoas com deficiência não ocupam cargos de liderança e, ainda de acordo com o levantamento, quando ocupam, são cargos de supervisão, ou coordenação, dificilmente se tornando gerentes ou membros de diretoria.

A pesquisa foi repercutida recentemente pelo site da CNN Brasil, cujo link deixo abaixo para quem quiser ler mais:

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/mais-de-80-da-pessoas-com-deficiencia-nao-ocupam-cargos-de-lideranca/

O que isso pode indicar na prática? Bem, primeiro que pessoas com deficiência são subjugadas a cargos inferiores, como os de auxiliares e assistentes; segundo que há ainda resistência e preconceito dentro das organizações quanto a capacidade desse público de ocupar posições mais estratégicas dentro das empresas.

Hoje muitas organizações usam a bandeira da diversidade e inclusão para dizer que são empresas que respeitam a pluralidade profissional e até fazem disso o seu marketing. Ganham dinheiro, atraem os melhores profissionais, mas, na prática, subjugam o PcD a ter pouca ou quase nenhuma oportunidade de carreira. Até mesmo pagando salários bem abaixo do que seria o ideal para o mercado.

Como mudar essa realidade? A resposta não parece simples e tampouco próxima do horizonte. Tomando por base a minha experiência profissional, sou uma pessoa que entregou bons resultados em vários dos lugares pelos quais passei, estou a concluir minha quarta especialização e nunca ocupei cargos de liderança e, mesmo em cargos inferiores, não tive o reconhecimento devido, pelo menos não o monetário.

Não estou falando mal dos lugares em que trabalhei. São boas empresas, mas de fato revelam que a pesquisa realmente apresenta a realidade; a dura e triste realidade do PcD no mercado de trabalho, sem muita perspectivas de mudança, mesmo que amparados por lei.

*Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente, ou quase…