Manifestações neste domingo, 21 de setembro, aconteceram em 33 cidades do país; em Londrina, ato ocorreu no Zerão, seguido de marcha

Cecília França e Nelson Bortolin

Foto em destaque: Filipe Barbosa

Centenas de londrinenses foram às ruas neste domingo, 21 de setembro, contra a proposta de anistia para condenados pela tentativa de golpe de Estado e contra a chamada PEC da Blindagem, que prevê exigência de autorização do Congresso Nacional para que deputados e senadores sejam processados criminalmente. O ato ocorreu no Zerão, com discursos inflamados de políticos e populares. Próximo das 18h, parte dos manifestantes seguiu em marcha sentido Avenida Higienópolis.

O ato colocou Londrina no mapa nacional de manifestações. Segundo informações da Agência Brasil, o povo foi às ruas em 33 cidades do país, incluindo todas as capitais. Em São Paulo, mais de 42 mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista, de acordo com o Monitor do Debate Político no Meio Digital, vinculado à USP (Universidade de São Paulo). No Rio de Janeiro, público semelhante, de 41 mil pessoas, ocupou Copacabana (estimativa do Monitor do Debate Político do Cebrap, feita em parceria com a ONG More in Common).

O colunista da Rede Lume Carlos Monteiro fez registro próximo ao trio elétrico da manifestação sob o sol de 40°C em Copacabana.

Londrina contra PEC da Blindagem e anistia

Em cima de um trio elétrico decorado com a bandeira do Brasil e com cartazes expondo os rostos dos três deputados federais de Londrina que votaram a favor da PEC da Blindagem – Filipe Barros, Diego Garcia e Luísa Canziani – políticos, como o presidente do PT do Paraná, Arilson Chiorato, e lideranças sociais discursaram. A fala da pastora metodista Ione da Silva, integrante do movimento EIG (Evangélicas pela Igualdade de Gênero) chamou a atenção por contestar o uso da fé evangélica por políticos da extrema direita.

“Estou aqui para declarar que sou pastora, reverenda, evangelica, e a bancada evangélica que está lá não nos representa. Somos contra a anistia, somos contra a PEC da Bandidagem. Estamos aqui para juntar forças. Nós, mulheres evangélicas; nós, pastoras evangélicas, somos contra a anistia e vamos lutar junto às nossas comunidades para que esse povo que está aí usando o nome da igreja, sujando o nosso nome, apoiando essa malandragem toda, que eles não nos representam. E nós somos muito maiores, nós somos mais fortes, porque nós estamos nas ruas, nós somos resistentes”, declarou.

Alisson Poças, coordenador do Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDH-Londrina) diz que o ato derruba a tese de que estamos em uma cidade conversadora.

“Cai por terra, mais uma vez, o argumento preguiçoso de que Londrina é uma cidade conservadora. Nós estamos aqui fazendo história, mais uma vez. Eu convoco cada um e cada uma a mobilizar nas suas periferias, nos seus movimentos, nos seus sindicatos, para a gente provar que Londirna nunca foi nem nunca será uma cidade conversadora. Londrina é um espaço de resistência, sempre foi”.

A deputada federal Lenir de Assis, que votou contra a PEC da Blindagem, declarou que “Se a direita forma maioria no Congresso, nós somos maioria nas ruas”.

“O povo na rua adquire maioria para dizer não à anistia para golpistas. Chega de projetos de impunidade e blindagem de criminosos que se ocupam desse cargos políticos para proteger seus crimes. Por isso nós estamos nas ruas junto com o povo brasileiro, para dizer ‘chega’!”.

A vereadora Paula Vicente (PT) se declarou emocionada com o tamanho da reação popular à tentativa de aprovar a PEC da Blindagem e a anistia para os condenados por tentativa de golpe.

“Eles acharam que iam passar uma PEC da Bandidagem, pra defender bandido, porque é isso que eles são. (…) Hoje, nós aqui em Londrina e no Brasil inteiro, estamos mostrando que nós não somos plateia, nós somos povo que luta pelos seus direitos, e não vamos aceitar qualquer tipo de tapetão”, afirmou.

Ocupação popular

Após cerca de três horas de manifestação no Zerão, a Frente Classista e Combativa liderou uma marcha até a Avenida Higienópolis.

De acordo com a Alternativa Popular, com iniciativa da Força Autônomo Estudantil (FAE), apoiados por filiados do Movimento Autônomo Popular (MAP), “a base combativa da população e Alternativa Popular, representada por filiados das suas organizações de base, radicalizaram o ato com intervenção de fala, e insistiram em marcha pelo Centro da cidade, ocupando avenidas e locais de exploração como o Supermercado Muffato.”

Para os ativistas, este domingo não foi um “dia de festa”. “não é motivo de show e alegria, todo dia é luta contra o sistema, congresso nacional é inimigo do povo.”

Além da pauta contra a anistia e a PEC, os manifestantes defenderam o fim urgente da escala 6×1.