No dia Da Consciência Negra, iniciamos uma série de entrevistas com mães e pais de santo de Londrina sobre a origem e as liturgias do Candomblé e da Umbanda
Cecília França
Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a Lume inicia uma série de entrevistas com mães e pais de santo em Londrina sobre religiões de matriz africana. No primeiro vídeo, ouvimos Mãe Iyá Ikandayo, que teve sua casa atacada com um artefato explosivo no último dia 27 de outubro. O caso foi levado para a polícia e gerou um protesto contra a intolerância regiliosa.
Mães e pais de santo estimam a existência de até 300 terreiros de Umbanda e Candomblé em Londrina, número que chama a atenção e nos faz questionar o porquê da intolerância ainda direcionada aos e às praticantes dessas religiões. Mãe Iyá Ikandayo questiona a real laicidade do país quando se trata de religiões não cristãs.
“Nós fazemos a coisa conforme nós aprendemos: a dividir. A nossa religião é de agregação e não de segregação”, declara. “Quando Deus mandou para a Terra seu filho eu não vi Jesus pregar em nenhum templo de ouro. Nós ouvimos ele falar: onde tiver pessoas em meu nome eu estarei. Ele não denominou placa de igreja, segmento religioso. O que faz as pessoas pensarem que nós também não estamos aqui reunidos em nome de Deus?”.
A mãe de santo desmistifica tabus como o da emulação de animais e da figura de Exu. “O Exu do Candomblé é o primeiro Orixá. Não existe Exu ser do mal. As pessoas dizem que Exu é o diabo. Quem é o diabo?”, questiona.
Com relatos sobre a riqueza das liturgias e a amorosidade dessas religiões, esperamos desmistificar esses cultos – ou, ao menos, garantir o respeito a eles. Assista entrevista completa abaixo.
