Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, os agressores têm entre 30 a 60 anos e são do gênero masculino

Fonte: MDHC

O Brasil registrou 4.482 violações de direitos humanos contra pessoas trans em todo o ano de 2023. Como reflexo da realidade que a população travesti e transexual sofre, o número divulgado pelo Disque 100, serviço sob gestão do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), alerta para o preconceito que motiva violações como integridade física, psíquica, constrangimento, discriminação, ameaça e injúria.

São Paulo (25%), Bahia (16%) e Rio de Janeiro (14%) aparecem como os estados com maior recorrência de casos denunciados, respectivamente.

A secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, afirma que os números ainda indicam subnotificação, e diz ser imprescindível que as pessoas que presenciarem suspeitas ou casos de violências recorram ao Disque 100. “É por meio desse serviço que podemos ter a dimensão, em nível federal, de quais são os melhores passos a serem dados a fim de que tenhamos, cada vez mais, políticas mais eficientes e plurais”, aponta a gestora.

Secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat

Os dados são da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos do MDHC e são divulgados no âmbito das ações em celebração aos 20 anos da visibilidade trans.

Leia também

Envelhecer, um desafio para pessoas trans

 

Além da quantidade geral de violações, as informações extraídas do painel do Disque 100 mostram perfil, faixa etária da vítima e do agressor, o tipo de violência mais recorrente e a relação entre o suspeito e a vítima.

De acordo com os números, algumas especificações chamam atenção na análise de dados: na maioria dos casos, as violações são cometidas por pessoas desconhecidas (105 suspeitos) ou familiares diretos da vítima, como mãe (107) e pai (42).

O cenário da violação aparece em locais como residências das vítimas, local de trabalho, via pública e em ambiente virtual, entre outros.

Nas denúncias com indicação de faixa etária, os agressores têm, em geral, de 30 a 60 anos e são do gênero masculino. No que diz respeito aos tipos de violações, aparecem nas denúncias 784 agressões relacionadas à tortura psíquica, 762 ligações alertando que a vítima sofreu algum tipo de constrangimento, 564 registros indicando discriminação e outras denúncias relatando ameaça, injúria, exposição de risco à saúde e agressão física.

Não é possível realizar comparação com o ano de 2022, pois não havia especificidade relacionada a pessoas trans, apenas à comunidade LGBTQIA+ em geral.

Denuncie

Canal gratuito e acessível, o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) pode ser acionado por ligação gratuita bastando discar 100; WhatsApp (61) 99611-0100; Telegram (digitar “direitoshumanosbrasil” na busca do aplicativo); e site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Em todas as plataformas as denúncias são gratuitas, anônimas e recebem um número de protocolo para que o denunciante acompanhe o andamento da denúncia diretamente com o Disque 100.

Acesse o painel neste link: https://www.gov.br/mdh/pt-br/ondh