Por Vinícius Fonseca*

Todos que me acompanham aqui sabem que essa coluna costuma voltar seus olhos para Pessoas com Deficiência (PcD) e embora vocês esperem isso hoje, algumas reflexões que fiz nas últimas semanas me parecem um pouco mais profundas que isso.

Longe de mim querer parecer especialista da alma humana ou ser piegas com algo clichê, ou mesmo ditar algum tipo de regra, mas fiquei pensando muito sobre como o amor pode ser demonstrado pela atenção que damos aos que nos cercam.

Muitos pais, mães e amigos de uma PcD se desdobram para fazer coisas que “facilitem” sua acessibilidade e suas vidas. Acreditam que evitar algum sofrimento ou “dor de cabeça” ao PcD pode ser de ajuda. Sem se darem conta que desafios são importantes a todos. São eles que vão mostrar à pessoa o quanto ela pode ir além do que acredita ser seus limites.

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Claro que cada um tem um tipo de deficiência e cada deficiência exige um cuidado e uma atenção diferente. Ter esse tipo de entendimento é muito importante para saber como ajudar, no entanto, conforme o tempo passa é preciso que a PcD adquira cada vez mais autonomia.

É neste sentido que comecei a refletir sobre a importância de estar atento ao outro. Se preciso de mais autonomia no meu dia a dia, se preciso alcançar minhas próprias conquistas, aqueles que me cercam e querem auxiliar nesses processos de alguma forma precisam estar atentos às minhas necessidades.

Isso vale para todas as pessoas, inclusive para nós que temos deficiência. Infelizmente, por mais que sejamos protetores e busquemos o melhor para quem amamos, ninguém é para sempre nessa vida e a autonomia é que fará a pessoa com deficiência seguir em frente. No fim, pensei eu, depois de muito refletir sobre a importância de darmos autonomia ao nosso parente ou amigo com deficiência, amar é estar atento ao que ele precisa e dar condições para que ele possa encarar o mundo,

Talvez, indo um pouco além, esse texto não seja só para pessoas com deficiência, afinal o amor é algo que dividimos com pessoas, independente de qualquer coisa.

*Vinícius Fonseca é pessoa com deficiência, jornalista, tecnólogo em gestão de Recursos Humanos com especialização em assessoria em Comunicação e M.B.A. em Gestão de pessoas. Também é escritor de poesias e contos, além de um eterno curioso.

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