Dezenas de pessoas compareceram à praça da Vila Recreio, perto de onde, há três anos, foi morto o adolescente Davi

Nelson Bortolin

Dezenas de pessoas participaram de um ato religioso na tarde deste domingo (15) numa praça da Avenida Duque de Caxias, na Vila Recreio. No local, há exatos três anos, a Polícia Militar matou o adolescente Davi Gregório Ferraz dos Santos, que tinha apenas 15 anos.

Ele foi um dos homenageados do ato, convocado pelo Movimento Justiça Por Almas – Mães de Luto em Luta. Também foram lembradas outras três pessoas mortas pela polícia em junho de anos anteriores. Entre elas, outro adolescente, Gabriel Sartori, morto em 15 de junho de 2017. Ele tinha 17 anos e foi atingido por tiro disparado por um PM de folga próximo ao Colégio Estadual Maria José Balzanelo Aguilera, no Jardim Cafezal. O militar foi absolvido em júri popular.

Leia também: Jovens são as principais vítimas de feminicídio no Brasil

Os outros homenageados foram o casal Matheus Felipe Pereira e Elaine da Silva, mortos pela PM na PR 445 em 29 de junho de 2022. Ele tinha 25 anos e ela, 31.

Em comum, os familiares dos jovens refutam a versão oficial de que eles foram mortos em confrontos policiais e acreditam em execuções.

Durante o ato, foram fincadas cruzes no gramado da praça. E o padre convidou os familiares a buscarem a “memória positiva” dos mortos. “Queremos ressignificar essa história. Que a história desses jovens não seja contada só por uma parte.”

As famílias levaram pertences das pessoas mortas e depositaram sobre um pano disposto na grama.

Além dos quatro homenageados, participaram do ato representantes das famílias de outras oito pessoas mortas pela polícia.