Votação do PT, por outro lado, cresceu em todas elas no segundo turno

Cecília França

Fotos: Votação em Londrina no segundo turno/Filipe Barbosa

Derrotado no segundo turno das eleições neste domingo (30), Jair Bolsonaro perdeu votos em seis dos dez maiores municípios do Paraná, em comparação com o resultado de 2018. Percentualmente, houve queda em todos. Em Curitiba, por exemplo, o atual presidente teve 64,78% dos votos agora, contra 35,22% de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito. Em 2018, Bolsonaro havia alcançado 76,54% dos votos na capital paranaense, contra 23,46% de Fernando Haddad, concorrente do PT naquele ano.

Em número absolutos, Bolsonaro teve 786.377 votos no segundo turno de 2018 na capital do Estado; agora, obteve 720.322. Em Londrina a situação foi semelhante. Há quatro anos o candidato conquistou 80,42% do eleitorado londrinense, enquanto que em 2022 terminou com 72,86%. O PT, em 2018, teve apenas 19,58% dos votos na cidade. Representado agora por Lula, o partido foi o escolhido de 27,14% dos londrinenses.

Dentre as dez maiores cidades do Paraná, Bolsonaro avançou em Cascavel, Foz do Iguaçu e Guarapuava e ficou praticamente estável em Maringá e São José dos Pinhais. Apesar da menor porcentagem, houve aumento de 119.866 para 125.392 votos em Cascavel; em Foz, a votação saiu de 99.545 em 2018 para 104.235 agora e em Guarapuava, de 56.654 para 57.176.

No Estado como um todo, Bolsonaro obteve 4.159.266 de votos, ou 62.40% dos votos válidos. O número representa 65 mil a menos do que o alcançado em 2018 pelo candidato, quando somou 4.224.416 votos (68,43%). Lula, por sua vez, obteve 2.506.464 de votos, 37.60% do total, muito superior ao conquistado em 2018 por Haddad: 1.948.790 votos (31,57%).

Mesmo com queda, Londrina é a mais bolsonarista

Londrina sai do segundo turno como a cidade mais bolsonarista dentre as maiores do Paraná. A votação do atual presidente teve um queda expressiva de 7,56% pontos percentuais, mas saindo do patamar alto alcançado no segundo turno em 2018: 80,42%. No último domingo, Bolsonaro obteve 72,86% dos votos dos londrinenses. Em números absolutos a queda foi de cerca de 5,1 mil votos: de 230.473 para 225.349.

Já o PT avançou significativamente na cidade. Enquanto Fernando Haddad havia obtido 56.111 votos no segundo turno de 2018, Lula alcançou 83.923, um aumento de 27.812 votos.

Clodomiro Bannwart, professor de Filosofia Política na Universidade Estadual de Londrina (UEL), aponta vários fatores como possíveis explicações para a queda de Bolsonaro em Londrina – e que também podem explicar a derrota nacionalmente. O cenário atual é muito diferente do que existia em 2018.

“Quais eram os elementos que estavam colocados em 2018: um discurso antipetista muito forte, um discurso anticorrupção muito forte, decorrente da Lava Jato, que estava no seu auge, e também um discurso antissistema, que foi decorrente das manifestações de 2013. Eu creio que Bolsonaro capturou bem esses três pilalres para criar um discurso que catalizasse e pavimentasse sua vitória em 2018”.

“Agora, em 2022, nós temos um enfraquecimento desses três pilares. O antipetismo diminuiu – tanto que permitiu a vitória do ex-presidente Lula – o discurso anticorrupção caiu por terra depois do fim da Lava Jato – o próprio Bolsonaro se posicionou dizendo que ele pôs fim à operação – e o discurso antissistema também acabou ruindo, porque ele se colocava contra o sistema político e, depois, ao longo do mandato, disse que ele sempre foi do Centrão”, pontua.

Para Bannwart soma-se à derrubada desses três pilares a avaliação da gestão. “E aí você tem questões importantes como a volta da inflação, que pegou a todos, emprego, renda, e como ele fez a gestão da pandemia, que foi muito criticada, sobretudo levando em consideração o número de mortos que nós tivemos no Brasil no comparativo com o número de habitantes.”

Bannwart aponta, ainda, a postura pessoal de Bolsonaro como fator de rejeição. “Muitas vezes com posturas ríspidas, respostas não muito educadas, isso também acaba refletindo, no meu ponto de vista, no resultado das eleições”, finaliza.