Por Vinícius Fonseca*
O texto de hoje pode soar antagônico para algumas pessoas; talvez tenha quem me ache ranzinza e pessimista, exatamente o contrário do que acredito ter demonstrado ser ao longo de todo o 2024.
O negócio é que chega essa época do ano e a maioria das pessoas fica cheia de esperança e começa a fazer planos para o ano vindouro. Eu não acredito no poder transformador do calendário. Para mim datas são apenas marcações de tempo que facilitam nossa compreensão de mundo, auxiliam na execução de atividades, ajudam a programar coisas, nada além disso.
Não estou querendo aqui julgar aqueles que usam esse período do ano para celebrar a vida, reunir a família. Eu sei que tanto Natal quanto Ano Novo são datas carregadas de simbolismo e sei que, para muita gente, a chegada de 2025 renova o ímpeto de fazer diferente, ser alguém melhor e acreditar em um futuro próspero.
Eu, no entanto, procuro ser mais sóbrio. Reforço que não estou tentando “azedar” o espumante de alguém, mas só uma alteração no calendário me parece insuficiente para os avanços que precisamos, sobretudo quando se pensa no ambiente social que se tem constituído para Pessoas com Deficiência (PcDs).
O que irá mudar de fato no dia a dia dessas pessoas? Será que teremos debates e a efetiva construção de ambientes mais inclusivos? Como diz certa canção: é preciso estar atento e forte.
Pensando em ciclos de renovação, Londrina, sobretudo em anos como o de 2024, tem ainda duas peculiaridades. A primeira é que o aniversário do município é comemorado em dezembro, dia 10. Aniversários também são vistos como encerramentos de ciclo e renovação. Soma-se a isso que tivemos eleição em outubro deste ano e a partir do janeiro teremos um novo prefeito e alguns novos nomes, outros nem tanto, entre os vereadores e secretários. O que esperar desse novo momento?
Eu confesso não ter a resposta para nenhuma das respostas que levantei nesse texto e só o tempo vai nos contar o que será. Eu sigo avesso às festividades que se relacionam à renovação de ciclo, porque para mim a vida não tem pause, somos fruto do que sempre fazemos e do quanto buscamos melhorar no processo, independente de calendário.
No entanto, como sugere uma outra canção, para não dizer que não falei de flores, vou tentar responder ao menos à pergunta título desta coluna:
Chegou a hora de renovar esperança? Sim, chegou, mas não esqueçamos que a busca por uma sociedade mais inclusiva deve continuar e todos nós podemos e devemos contribuir com esse processo de construção da sociedade, não a que queremos, mas a que precisamos.
Boas festas aos que são de festa, aos que não são o meu singelo “eu te entendo, pois também não sou”. E ficamos combinados, nos vemos por aqui em 2025.
*Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente.
