Chuva deve dissipar a fumaça e melhorar a qualidade do ar, que atingiu níveis críticos de umidade
Cecília França
“Logo que chover, como a chuva vai ser forte, já limpa a atmosfera.” A frase do meteorologista do Simepar Reinaldo Kneib é um alento após tantos dias de ar impuro e de baixíssima umidade na região norte do Paraná. Em Londrina, de acordo com o Simepar, a umidade chegou à mínima de 14,2% nesta semana.
“É crítico, ainda com material particulado misturado com esse ar seco, agravam-se os problemas respiratórios”, destaca. No momento em que produzimos esta matéria, por volta das 15h de sexta-feira (13), a umidade na região norte do Estado varia entre 17% e 20%, quando o ideal seria 70%. O resultado de tudo isso é um céu cinza, registrado nas fotos de Filipe Barbosa que ilustram essa matéria.
A boa notícia é que o aumento será rápido na próxima semana. Segundo o meteorologista, no sábado (14) chove de maneira irregular a partir da tarde. Já o domingo será um dia chuvoso. “Há risco de tempestades ao longo do domingo e de chuva com bastante raio”, informa.
Na segunda e na terça a previsão é de que a chuva pare, retornando na quarta. A temperatura diminui bastante, ficando abaixo dos 22, 23 graus. “As manhãs devem ser mais frias na próxima semana, com temperaturas em torno de 15 graus”, diz Kneib.
“Será uma semana mais tranquila tanto na questão de qualidade do ar quanto de temperatura”.
De acordo com matéria do UOL, as chuvas previstas para o fim de semana, porém, devem ter quantidade suficiente para dissipar a fumaça apenas no Sul do País, permanecendo cenário crítico nas demais regiões.
“Chuva negra”
A chuva irá carregar a fuligem contida no ar, porém, para o meteorologista do Simepar, o termo “chuva negra”, que vem sendo usado para classificar as precipitações que estão ocorrendo em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, é errôneo.
“A água não vai estar preta. Para observar a fuligem, o material particulado, teria que pegar essa água em um recipiente limpo, mas a chuva não vai ser preta. Isso infelizmente é um termo errado que está sendo utilizado. Para chover preto só se houvesse uma erupção vulcânica”, explica.
Doenças respiratórias
De acordo com a assessoria da prefeitura de Londrina, nas duas últimas semanas houve aumento na procura por atendimento nas unidades de saúde e nos pronto atendimentos municipais, mas ainda não há como afirmar que seja impacto da situação climática.
A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) emitiu alerta sobre os riscos de inalação de materiais tóxicos oriundos de queimadas. Quanto mais próximo dos focos, maior o risco de inalação e, de acordo com o pneumologista Ubiratan de Paula Santos, membro da Comissão de Doenças Ocupacionais e Ambientais da SBPT, o risco é maior para bebês, crianças pequenas, idosos, pessoas com doenças crônicas cardiovasculares e pulmonares.
“Elas vão descompensar mais, vão precisar ir mais ao Pronto Socorro, vão internar mais, vão precisar de medicação, vão aumentar o risco de infecções respiratórios até semanas ou meses depois (do contato com o material inalado)”.
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