Evento que discutiria a letalidade policial no Paraná seria realizado na quinta-feira (26), na Assembleia Legislativa

A dois dias de sua realização, a audiência pública convocada pelo deputado estadual Renato Freitas (PT) para discutir a letalidade policial no Paraná foi adiada. Segundo a assessoria do parlamentar, o Gabinete Militar da Assembleia alegou falta de segurança para pedir o adiamento.

Nota divulgada pelo mandato do petista diz que o tenente-coronel Robson Luiz Selleti, chefe do Gabinete Militar, alegou que precisa de mais tempo para elaborar um plano de segurança. “Na segunda-feira, o presidente da Casa, Alexandre Curi (PSD), disse que ameaças de policiais impediriam a realização da audiência”, diz a nota do deputado.

O documento diz ainda que, desde a semana passada, “policiais e um advogado conhecido por provocar confusões têm ameaçado de forma velada comprometer o andamento civilizado da audiência pública. O próprio Alexandre Curi (presidente da Assembleia) relatou ter conhecimento dessa possibilidade”.

Com receio do que pudesse acontecer o deputado disse que resolveu adiar a audiência que seria realizada na quinta (26). “Não posso colocar em risco ainda mais a segurança de mães que já perderam os filhos para a violência da Polícia do Paraná, porque a Assembleia ‘não tem um plano’. É revoltante que não consigam garantir que a sociedade possa debater formas de acabar com essa violência. Vamos levar o debate para as ruas, onde as pessoas já vivem essa realidade”, disse Renato Freitas.

Outro lado

A assessoria do presidente da Assembleia nega conhecer ameaças feitas por policiais. Mas alega que o local reservado para a audiência, o auditório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), não era adequado para um evento tão grande. “É questão de segurança”, disse a assessoria ao ser questionada pela Rede Lume.

Sobre a demora para tomar essa decisão, o assessor alega que o deputado havia reservado o local não para uma audiência pública e sim para uma reunião da Frente Parlamentar da População de Rua, evento com bem menos gente. E só depois teria trocado a reunião pela audiência pública da letalidade policial.

Segundo a assessoria, a Assembleia disponibilizou o Plenarinho para abrigar a audiência em nova data, que ainda não foi marcada.

O debate tinha previsão de participação de representantes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e diversos grupos da sociedade civil. Representantes das polícias também foram convidados, inclusive o secretário de Segurança Pública, Hudson Teixeira, que, segundo o mandato de Renato Freitas, enviou resposta dizendo que não participaria.

Com o questionamento “Como reduzir o número crescente de mortes causadas pela polícia no Estado?” como tema, a audiência também previa participação de familiares de vítimas da polícia espalhados por todo o Estado.