Por Vinícius Fonseca

Em 2023, quando surgiu a possibilidade de escrever essa coluna na Rede Lume a ideia não era só falar sobre Pessoas com Deficiência (PcDs) e seus desafios. Não queria criar um espaço de reclamação pelas injustiças da sociedade, embora saiba que tais injustiças existam. Também não queria que fosse um espaço para lamentação, como se nós, que temos deficiência, estivéssemos subjugados a aceitar as dores da vida sem lutar para que ela melhores.

Em suma, a ideia principal, o que me movia de fato quando me ofereci para aqui estar era a possibilidade de contar grandes histórias, mostrar que a vida de qualquer pessoa vai além da deficiência, ou quaisquer que sejam seus traços ou condições mais marcantes.

Uma pessoa é mais que seu trabalho, é mais que um prêmio que tenha disputado. Uma pessoa é um emaranhado de histórias. É também o conjunto das suas vivências e dos outros seres humanos que a cercam. Digo isso não só por ser o que acredito, mas bem “calçado” nas minhas experiências e nas experiências de gente com quem converso.

Quase todo mundo tem uma ou mais pessoas que consideram especiais. Que marcaram positivamente a sua vida. Que lhe fizeram acreditar que sim, aquele sonho era difícil de ser, mas, possível.

Não há uma regra geral e é claro que existem PcDs que têm o coração mais duro, talvez porque já sofreram demais e principalmente porque, como qualquer outro ser humano, somos falhos e imperfeitos. Porém, a maior parte de nós, como quase sempre precisou de algum tipo de apoio, consegue perceber com clareza o valor do outro nas nossas vidas. O que me leva a pergunta título do texto: “Do que são feitos os heróis?”

Diferente dos quadrinhos, em que os heróis costumam se destacar dos seres humanos comuns e apenas usar disfarces para estarem entre nós, fingindo uma vida comum, na vida real todo mundo pode ser um pouco herói. Por exemplo, o pai do vídeo acima, um herói, com H maiúsculo.

Ele mudou todo o seu estilho de vida para possibilitar que a filha tivesse o máximo de experiências possíveis. E você acha que aconteceu o quê? Apesar da pouca idade, a menina coleciona histórias e aventuras para contar e o que eu acho mais legal, alguém para admirar para o resto da vida.

Porque, pessoalmente, eu acredito ser muito legal ser admirado por alguém, saber que contribui ou contribuiu com o outro de alguma forma, mas admirar é muito mais grandioso. Você poder olhar para alguns daqueles que te cercam e dizer para si mesmo, quero ser igual essa pessoa. Que ser humano incrível eu tenho ao meu lado para compartilhar a mesma época. Não sei como isso para vocês, mas eu sinto um prazer enorme.

Uma vez vi uma entrevista do Stan Lee, um dos criadores do Homem-Aranha, em que ele dizia que o personagem usava máscara porque ele queria que qualquer um pudesse se imaginar como o herói. Acredito que isso ajuda muito a direcionar a resposta para a pergunta do texto.

Os heróis são feitos de carne e osso e pode ser qualquer pessoa. Desde você, ao estender a mão a quem precisa, por mais simples gesto, até um pai que muda toda a vida só para que a filha com deficiência possa ter uma vida de aventuras.

 

*Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente, ou quase…