Por Vinícius Fonseca*
O carnaval está chegando e com ele a hora em que tiramos as fantasias dos armários, mas o presente texto não é exatamente sobre carnaval, até porque Londrina não terá a festa mais popular do Brasil, pelo menos não oficialmente.
Por aqui parece que qualquer roda de samba virou um ato de resistência. Aliás, sempre foi, só que isso tem ficado cada vez mais evidente com o passar dos anos. Bem, eu prometi que não seria um texto sobre carnaval, então vou parar por aqui.
Então, quais fantasias seriam essas as quais eu me refiro? Infelizmente essas fantasias carregam em si a necessidade de demostrarmos resistência e resiliência, tal como as rodas de samba.
São as fantasias de ambientes mais inclusivos e de avanços nas nossas conquistas, sejamos Pessoas com Deficiência (PcDs), ou membros de qualquer outra minoria. Antecipo minhas desculpas por aparecer aqui como um triste Pierrot, mas o futuro me preocupa.

Foto: Alexander Shustov/Unsplash
Tenho percebido nos últimos meses um avanço do discurso sobre o fim do que chamam de agenda Woke (acordei, em tradução literal). Para ficar mais clara a compreensão, o termo foi cunhado nos Estados Unidos e indicava um despertar para as injustiças raciais, a partir do movimento Black Lives Matter (vidas pretas importam) e depois começou a ser apropriada à luta de todas as minorias visando avanços sociais e conquistas.
Eu sou compassivo com algumas preocupações. Reconheço que todo movimento que se inicia visando uma mudança do comportamento social pode cometer excessos e que isso pode gerar, em um primeiro momento, estranheza, resistência, depois a sensação de que existe um certo “privilégio” para esse ou aquele grupo, até as coisas realmente acalmarem e se tornarem naturais em nosso meio.
A minha visão aqui pode não refletir a mesma de alguns de vocês, até mesmo entre meus amigos de Rede Lume, mas trazer esse tema à discussão me parece fundamental no cenário atual.
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Eu percebo que parte da população já enxerga um certo excesso de zelo com o público PcD e outras minorias nas pautas atuais. Para vagas, cotas, nos filmes, antes dominados pelo padrão branco, hétero e Cis, diversidade. É possível que muitos tenham cansado disso.
No entanto, como PcD e alguém que se “beneficiou” disso, me sinto na obrigação, não de me explicar, mas de trazer algumas observações. Essas “conquistas” não foram feitas a fórceps, como insistem alguns, foram necessárias. Imaginem vocês, grupos de pessoas que precisavam sufocar suas vozes e viver à margem da sociedade, só porque não tinham o padrão dito “adequado”.
Eu até topo negociar novos termos, mas não toparei retroceder nenhum centímetro dos passos que demos até aqui, como sugerem os discursos que hoje apontam para o futuro.
É hora de tirar nossas fantasias do armário, a fantasia de uma sociedade mais justa e igualitária. A fantasia de que conseguimos as coisas por mérito e não porque interessava ao mercado atender essa ou aquela agenda. É hora de carnaval, carnaval e luta.
Em tempo, ou sobre curiosidades que ninguém perguntou
Como diz o texto que me apresenta na Lume: Sou escritor! E o que faz um escritor? Escreve…
Tenho o prazer de comunicar que em 2025 lançarei dois livros. Um contendo entrevistas e outro com crônicas que produzi sob o olhar da descoberta e desafios da vida adulta.
O primeiro livro que quero destacar é “Entrevistas Safety: Construindo memórias no olho do furacão” , uma parceria minha com a professora Doutora, Marselle Nobre de Carvalho, que reúne entrevistas realizadas durante os anos de 2020 a 2023, todas relacionadas ao covid-19 e nossas vivências durante a pandemia.
As entrevistas foram realizadas para o boletim informativo do Projeto Safety, da UEL, projeto focado em monitorar a pandemia enquanto ela acontecia e que acabou ficando muito maior que isso.
Entre os entrevistados estão vários especialistas, das mais diversas áreas. Nas entrevistas, no estilo ping-pong, eles relacionam suas áreas de trabalho, estudos e desafios com a pandemia. Como o nome sugere, o livro ganha aspectos de memória do momento mais marcante do século até aqui. Memórias essas literalmente criadas durante a pandemia, enquanto tudo acontecia.
Entre os entrevistados estão jornalistas, cientistas da área da saúde e outras ciências, o Prefeito em exercício em Londrina na época, os reitores que passaram pela Universidade Estadual de Londrina, entre outros.
O livro está previsto para ser lançado em versão e-book e deve sair ainda neste semestre.
O outro livro é mais pessoal. Chamado “Memórias de um ex-adolescente”, ele reúne uma coleção de crônicas, em ordem alfabética, com cada letra sendo relacionada a coisas da vida adulta e a transformação pela qual todos passamos. Tardiamente ou não, um dia todos descobriremos que somos ou viramos adultos e que esse processo não é fácil, simples e que o mesmo impõe desafios.
No livro o leitor mergulhará nas transformações sentidas pelo personagem que poderia ser qualquer um de nós.
*Vinícius Fonseca é pessoa com deficiência, jornalista, tecnólogo em gestão de Recursos Humanos com especialização em assessoria em Comunicação e M.B.A. em Gestão de pessoas. Também é escritor de poesias e contos, além de um eterno curioso.
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