Por Vinícius Fonseca

“Cada um oferece o que tem”. Este dito popular nunca fez tanto sentido para mim como nas últimas semanas.

Cansei de ver, e até comentei aqui, sobre declarações capacitistas de autoridades, não só no último mês como também durante o ano. Além de outros casos de menosprezo para com pessoas com deficiência (PCDs) – casos estes que voltaram a se repetir na semana passada e que não param de inundar os meus reels do instagram.

Tudo bem, temáticas PCD têm ganhado espaço na minha rede muito em razão do meu interesse pelo assunto, (a gente sabe como o algoritmo funciona), mesmo assim, saber desses casos me chateava muito, até que uma informação mudou minha forma de ver as coisas e espero que mude a de vocês também.

Particularmente, acho que não teve a cobertura devida, mas vocês viram o desempenho do Brasil no Parapan-Americano, disputado em Santiago no Chile? A competição terminou em 26 de novembro e o Brasil terminou com 343 medalhas conquistadas – distribuídas em 156 ouros, 98 pratas e 89 bronzes. Um recorde superando as 308 conquistas de medalha alcançadas em Lima, 2019.

O Brasil é uma potência do esporte voltado aos PCDs. Cada competição que passa conseguimos novas e expressivas conquistas e quebras de recorde, seja em Pans ou Olimpíadas e isso deveria ser motivo de orgulho, aliás é, embora reforce, acredito que não receba o reconhecimento devido.

É nesse contexto, sabendo de todas essas informações, que o tal dito popular começou a me bater diferente. Cada um oferece o que tem. Enquanto pessoas com deficiência vão oferecendo medalhas e outras conquistas mais, ainda existem políticos e outras pessoas que oferecem preconceito e brincadeiras fora de tom.

Eu não uso esse espaço para me fazer de vítima da sociedade. Quem me acompanha sabe disso. Também sei que existem PCDs difíceis de lidar, tanto quanto pessoas sem deficiência que sentem nossas dores e compram nossas brigas. Infelizmente somos todos vítimas das falhas e imperfeições humanas. Porém, eu sou aquele teimoso cheio de esperança.

Eu espero que possamos ver nos próximos anos, cada vez mais conquistas de pessoas com deficiência e cada vez menos falas capacitistas e outras formas de demonstração de preconceito advindas das características das pessoas com deficiência.

Se você pensa como eu, bem-vindo ao time. Talvez estejamos perdendo no momento, mas acredito na capacidade que temos de, juntos, vencermos esse jogo. Assim como nossos atletas no Parapan.

*Vinícius Fonseca é pessoa com deficiência, jornalista, tecnólogo em gestão de Recursos Humanos com especialização em assessoria em Comunicação e M.B.A. em Gestão de pessoas. Também é escritor de poesias e contos, além de um eterno curioso.

 

 

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