Cláudio Mazzia teve seus contatos compartilhados nas redes sociais dias antes da invasão ao Congresso Nacional neste domingo, mas diz que a “notícia é falsa”; ele registrou BO no 1°DP de Londrina na manhã desta segunda
Mariana Guerin
Fotos: Reprodução
Na manhã desta segunda-feira (9), o empresário de Londrina Cláudio Mazzia registrou Boletim de Ocorrência (BO) no 1° Distrito Policial de Londrina para denunciar que seu nome tem sido apontado como organizador da caravana de londrinenses que viajou a Brasília para participar da invasão à Praça dos Três Poderes neste domingo (8).
A Lume conversou com o empresário, que disse que a informação da sua participação no movimento golpista “não procede, é notícia falsa e criminosa”. “Usaram um cartão da minha empresa para fazer essa falsa notícia.”
Ao final da manhã, ele registou o BO, que diz: “Relata o noticiante que no dia 06/01/2023 desde às 6 horas da manhã, que teria começado a receber ligações e mensagens onde pessoas perguntaram a respeito de um ônibus sendo alugado com destino a Brasília; relata o noticiante que negava que teria um ônibus e que não estaria sabendo de nenhuma viagem relatada; relata o noticiante que estariam utilizando do cartão de sua empresa e usando o seu nome e telefone a fim de executar uma excursão com destino a Brasília; relata o noticiante que não teria realizado e nem teria conhecimento de nenhuma forma deste evento relatado”.
Empresário pode ter sido vítima de falsidade ideológica
O nome e os telefones de Cláudio Mazzia foram compartilhados na página do Facebook da microempresária Silvana Bondioli Ferraz, também postado por ela em grupo popular da cidade e largamente compartilhado. A Lume entrou em contato com ela na manhã desta segunda, mas ela optou por não conversar com a reportagem. Depois, no início da tarde, respondeu “estou em Londrina, sou motorista de aplicativo e apenas repassei”. A postagem inicial, sobre a caravana, foi apagada.

Ao menos quatro ônibus que saíram de Londrina foram fretados da Viação Garcia. A empresa emitiu nota: “A empresa repudia qualquer violência e não incentiva atos de natureza antidemocrática. Apenas oferta o serviço de fretamento de ônibus”. Sobre quem contratou os ônibus para levar os manifestantes a empresa respondeu “que só presta estas informações nos termos da Lei 13.709/18 (Lei Geral de Proteção de Dados)”.
Nesta terça (10), a Viação Garcia emitiu nova nota sobre os acontecimentos de domingo: “Diante dos fatos narrados na imprensa acerca da presença de veículos da Viação Garcia/Brasil Sul na cidade de Brasília-DF neste domingo, informamos que tratam-se de veículos fretados por particulares devidamente contratados de forma legal, com lista de passageiros, emissão de nota fiscal e comprovante de pagamento pelo contratante”.
“Ressalta-se ainda que já estamos atuando no sentindo de colaborar com as autoridades competentes sendo que, em virtude de confidencialidade contratual e das diretrizes da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), as informações pertinentes a tais contratações poderão ser fornecidas somente mediante solicitação oficial das referidas autoridades.”
“Por fim, a Viação Garcia/Brasil Sul aproveita o ensejo e enfatiza que repudia veementemente qualquer ato de violência e vandalismo contra o patrimônio público e não incentiva a prática de qualquer ato de natureza antidemocrática.”
Desde ontem, quando bolsonaristas golpistas invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília, deixando um rastro de destruição, a Polícia Federal está buscando possíveis financiadores das caravanas de ônibus que levaram os golpistas à Capital. Em Londrina, as primeiras informações apontam que quatro ônibus da Viação Garcia partiram para o Distrito Federal com destino às manifestações.
Em uma reportagem publicada na manhã desta segunda, o portal G1 identificou 14 veículos participantes da invasão, entre eles quatro ônibus da Viação Garcia, dois da Brasil Sul Linhas Rodoviárias, todos de Londrina, um ônibus de Curitiba e um de Cascavel e veículos de São Paulo e Minas Gerais.
A coordenação-geral de Comunicação Social da PF em Brasília emitiu uma nota oficial em resposta aos atos registrados neste domingo: “A Polícia Federal instalou gabinete de crise para coordenar as ações e identificar os autores dos ataques aos órgãos federais. Grupos táticos da PF foram mobilizados de vários estados do país para apoio às forças de segurança em Brasília”.
“Equipes já iniciaram as ações de polícia judiciária, bem como perícias no Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal para identificação dos responsáveis pelos atos de vandalismo, inclusive com sistemas de identificação facial.”
“Foi mobilizado ainda o Grupo de Bombas e Explosivos da PF, para varreduras que se fizerem necessárias. A segurança do presidente da República também será reforçada, incluindo rotas e instalações.”
“Os crimes cometidos durante os atos estão sendo devidamente apurados, no âmbito das atribuições da Polícia Federal.”
O Ministério Público do Paraná expediu nesta segunda (9) ofícios a propósito da determinação do Supremo Tribunal Federal que impõe a desocupação e dissolução total em até 24 horas dos acampamentos realizados nas imediações de quartéis-generais e outras unidades militares, bem como interdições de vias e prédios públicos e afins.
Os documentos foram dirigidos ao governador do Estado, ao secretário de Estado da Segurança Pública, ao comandante-geral da Polícia Militar do Estado do Paraná e ao coordenador estadual do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
(Atualizada às 15h39 do dia 10/01/23)
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