Com capacidade para 220 crianças, unidade conta com refeitório e quadra coberta; permanece demanda por estradas para garantir transporte de alunos
Da Redação – com informações de Filipe Barbosa
Foi inaugurada na última sexta-feira, dia 22, a Escola Municipal do Campo, Trabalho e Saber no Assentamento Eli Vive, no distrito de Lerroville, em Londrina. A unidade tem 2.033,55m² de área construída e capacidade para atender 220 alunos da Educação Infantil até o 5o ano do Fundamental. A inauguração atende a uma requisição antiga das famílias, que comemoraram 15 anos do assentamento em 2024.
Participaram da solenidade de inauguração o prefeito Marcelo Belinati; a Secretaria Municipal de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes; a Secretária de Educação Continuada do Ministério da Educação e Cultura (MEC), Zara Figueiredo; Roberto Baggio, Dirigente Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Valter Leite, Dirigente Nacional de Educação do MST; Jones Fernando, Dirigente Estadual de Educação do movimento e José Damasceno, Dirigente Estadual, e a vereadora Lenir de Assis (PT).
A cerimônia teve início com uma mística em que os próprios estudantes trouxeram a memória do processo de construção da educação do campo no Assentamento Eli Vive, como as primeiras aulas que ocorriam em espaços improvisados, onde as crianças estudavam em coxos da antiga fazenda e, posteriormente, em estruturas de bambu e em seguida em salas de madeira erguidas pelas famílias do assentamento, onde funcionou como escola Itinerante até ser formalizada como escola municipal em 2017.
Na sequência, aconteceram as apresentações de circo e da Orquestra Popular Camponesa, dois projetos em que os educandos estão inseridos, demonstrando a importância da arte e cultura para o aprendizado dos educandos e fortalecimento da comunidade.
Sandra Ferrer, a Flor, dirigente do assentamento, lembrou que a inauguração da escola é a concretização de uma luta que teve início já 15 anos, quando nasceu o então acampamento Eli Vive. Edelvan Carvalho, outro dirigente, classificou a inauguração como “mais um momento histórico”.
“O Assentamento completou 15 anos e agora comemoramos uma conquista que já deveríamos ter comemorado muitos anos atrás”, lembra ele, destacando a necessidade de acesso a educação continuada, com a construção de uma escola estadual no Eli Vive.

José Damasceno classificou o dia como “uma mistura de felicidade, de realização e também de muita emoção”. “Porque quem viu o acampamento Eli Vive começando nesse território e olha essa realidade de hoje é muita revoluação. as coisas mudam a cada momento, a cada ação humana as coisas vão se transformando. E é muito satisfatório a gente trocar uma fazenda com 17 famílias por 501 famílias e 2,5 mil pessoas. Por isso o dia de hoje me traz esse conteúdo de realização humana”, declarou.
O prefeito Marcelo Belinati lembrou que quando o assentamento Eli Vive se formou, em 2010, ainda era uma iniciativa do Estado e o município só assumiu a gestão da escola em 2017. A estrutura então de lona, usada para as aulas, foi trocada por uma sede de madeira, onde a escola permaneceu até pouco antes da inauguração da nova sede.
“É uma alegria especial poder entregar esta escola. Não só por ser uma das estruturas mais modernas e completas, mas pelo significado que ela tem para a comunidade do assentamento que sempre priorizou o aprendizado e a educação”, disse o prefeito.
Faltam as estradas
Mãe de um menino de 5 anos, Dandara Jaquiele, há 14 anos no assentamento, concorda que a nova escola é uma conquista para as crianças.
“Agora tem mais segrança, tem muro para as crianças não saírem, é mais limpo, não molha, não tem preocupação nenhuma de mandar para a escola”, destaca.
Uma mãe de três filhos, assentada desde o início no Eli Vive, concorda, mas teme que o acesso continue dificultado.
“Eu moro no pior lugar do assentamento (na questão de estradas); já aconteceu das meninas ficarem 40 dias sem vir na aula, porque para de chover e mina água, a Kombi não consegue descer”, relatou.
Atualmente, 145 alunos estudam na escola municipal do Eli Vive. Por diversas vezes eles não conseguem frequentar as aulas por causa das péssimas condições das estradas, como já noticiou a Rede Lume. Mesmo com a nova escola, o problema permanece, já que ela está localizada próximo à atual.
Leia mais sobre o assunto aqui.
A Lume faz jornalismo independente em Londrina e precisa do seu apoio. Curta, compartilhe nosso conteúdo e, quando sobrar uma graninha, fortaleça nossa caminhada pelo PIX (Chave CNPJ: 31.330.750/0001-55). Se preferir contribuir com um valor mensal, participe da nossa campanha no Apoia-se https://apoia.se/lume-se.
