Segundo mulher de jovem internado no HU, policiais chegaram atirando e não havia um segundo homem na casa

Nelson Bortolin

Mais uma intervenção policial ocorrida em Londrina está sendo colocada sob suspeita. No final da tarde da terça-feira (20), policiais militares atiraram contra o servente de pedreiro Cassiano Calastro da Silva, 29 anos, que foi levado para o Hospital Universitário onde deveria passar por uma cirurgia nesta quarta-feira (21).

A versão oficial apresentada pela PM à Central de Flagrantes da Polícia Civil é a seguinte: após receberem uma informação do serviço de inteligência de que o autor de um feminicídio tentado em Cambé estaria num imóvel do Jardim Primavera (zona norte de Londrina), os policiais foram até o local.

Ao chegarem no imóvel, os agentes teriam visto dois homens correrem para dentro da residência. Um deles, que seria Cassiano, teria apontado uma arma em direção à equipe. Para se defender da “injusta agressão”, foi preciso atirar.

O outro homem, segundo os PMs, teria conseguido escapar pelo fundo de vale próximo ao local.

Depois de baleado, o servente de pedreiro teria sido encontrado pelos PMs no fundo do quintal com um revólver 38 perto dele.

Mulher contesta

A mulher do servente de pedreiro, Lídia Ludmila, refuta veementemente a versão dos policiais. Ela alega que estavam na casa apenas ela, o filho dela de sete anos e Cassiano. Os policiais já teriam chegado atirando. Ela contou cinco tiros, sendo que um atingiu Cassiano na costela. “Foi tudo muito rápido, não deu para fazer nada.”

Lídia diz que estava muito preocupada porque o filho estava vendo tudo. “Meu menino começou a chorar. Foi um desespero.”

Segundo a esposa, depois de atirarem em Cassiano, os policiais ficaram perguntando quem eram os dois homens que tinham corrido para dentro da casa. “Mas não tinha ninguém além de mim, do meu marido e meu filho.”

Ao contrário do que alega a polícia, ela garante que o marido não estava armado. “Meu marido é um homem honesto, trabalhador e não tem arma.”

“Atiraram por engano”

De acordo com Lidia, o homem que tentou feminicídio em Cambé é tio da ex-mulher de Cassiano. Mas não frequentava sua residência. “Para mim, atiraram no Cassiano achando que era o tal do Sandro que atirou na mulher lá em Cambé.”

De acordo com ela, o marido está sob custódia no HU, iria passar por uma cirurgia nesta tarde e corre o risco de ficar paraplégico.

A assessoria de imprensa do hospital confirmar que ele vai passar por cirurgia. E já está em jejum visando o procedimento. “O paciente está em atendimento no pronto-socorro e respira com auxílio de aparelho não invasivo. Ele está consciente, em “regular estado”.

Sobre o risco de ficar paraplégico, ela alega que esses detalhes só podem ser confirmados pela família.