Com isso, cinco famílias de agricultores do assentamento em Londrina têm seus produtos certificados

Cecília França

Fotos: Cristina Célia Krawulski e Victor Hugo Silveira

Mais quatro famílias do Assentamento Eli Vive, localizado em Londrina, passaram por auditoria de certificação orgânica no início do mês de novembro. Com isso, cinco famílias da localidade passam a contar com a certificação, realizada por auditores do Tecpar – Instituto de Tecnologia do Paraná, através do Programa Paraná Mais Orgânico, com acompanhamento do Neagro – UEL, IDR-PR e Projeto Semeando Gestão.

Todas as famílias visitadas no início do mês estão em conformidade com as normativas da lei de produção orgânica e devem receber seus certificados nos próximos 30 dias.

A agricultora agroflorestal Jovana Cestille entende bem o processo. Sua família foi a primeira a receber a certificação no Eli Vive e conhece os benefícios para produtores e para consumidores.

“Com a certificação as famílias que entregam seus produtos para programas institucionais como PNAE (Programa Nacional de Merenda Escolar) e PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), recebem 30 % a mais no valor. Pra quem faz venda direta (feiras, entregas de cestas) é uma garantia a mais para os consumidores, embora geralmente nesse processo de comercialização se estabeleça uma relação de confiança. E os produtores também podem comercializar com mercados e empresas que exigem o selo para a comercialização”, destaca.

A agricultora Jovana Cestille no Seminário de Comunicação e Cultura promovido pelo MST no dia 9 de novembro/Reprodução Instagram

Entenda

Em setembro, o sítio da família de Jovana passou por vistoria de rotina para controle da certificação. Em postagem nas redes sociais ela explica detalhamente como funciona o processo:

“O auditor que é definido pelo Tecpar visita a unidade produtiva na data previamente agendada, com base no Plano de Manejo Orgânico verifica os documentos da propriedade, no nosso caso o contrato de concessão de uso, CAR, outorga e analise da água, notas de compra de insumos e de venda da produção, caderno de campo onde anotamos cada insumo que foi comprado e para que fim foi utlizado, os manejos realizados desde adubação, plantio das mudas e sementes, aplicação de produtos biológicos, caldas… até a colheita e onde os produtos forem entregues / comercializados, esse processo é a garantia de rastreabilidade do produto.”

Após verificar se a documentação está de acordo com o Plano de Manejo, o auditor inicia a visita técnica, verificando as plantações, os insumos e equipamentos utilizados, área de higienização, barreiras, enfim, tudo o que está relacionado a produção.

“Estando tudo certo, o auditor encaminha relatório para o Tecpar e o certificado é renovado. Além das auditorias da certificadora, a qualquer momento, sem aviso prévio, podemos receber visita de um auditor do Ministério da Agricultura, que coleta amostra de terra e da produção e leva para análise, para ver se não há resíduos químicos. É um processo trabalhoso, mas que garante que o nosso produto esteja em conformidade orgânica”, enfatiza Jovana.

De acordo com a assessoria do MST, o número de famílias certificadas no Eli Vive deve aumentar em breve, já que outros produtores estão com a documentação aprovada pelo TECPAR ou em fase de encaminhamentos para receberem auditoria no primeiro semestre do ano que vem.

“Assim as famílias assentadas avançam na construção da agroecologia, no fortalecimento da produção de alimentos saudáveis e da soberania alimentar”, destaca a assessoria.

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