A ativista Natália Lisboa, integrante da Frente Antirracista, percorreu ministérios e protocolou dossiê sobre letalidade policial e manifesto do movimento hip hop

Cecília França

Foto em destaque: Natália Lisboa (terceira à dir.) na Secretaria Nacional de Juventude

A Frente Antirracista de Londrina esteve em Brasília, representada pela ativista Natália Lisboa, na semana passada, para apresentar pautas de Londrina. Em visita aos ministérios da Educação, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, foram protocolados o dossiê sobre letalidade policial produzido pelo coletivo Justiça por Almas, o Manifesto RAP Vive, do movimento hip hop, e demandas do Instituto Federal de Educação (IFPR) campus Londrina.

“Em 2023 a Frente Antirracista de Londrina enviou uma delegação de cinco pessoas para o congresso nacional de estudantes da UNE em Brasília, para acompanhar as discussões sobre as políticas afirmativas, juventude e bem viver e violência policial. Em 2024 voltamos a Brasília, mas agora para protocolar demandas da nossa cidade nos ministérios”, conta Natália.

Na quinta-feira (16), a ativista esteve no Ministério da Educação (MEC), onde protocolou ofício do Instituto Federal do Paraná campus Londrina junto ao Setec (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica). O ofício, de acordo com ela, foi feito pela própria gestão do campus e entregue a Carla Jardim, representante do MEC que já foi reitora do Instituto Federal Farroupilha.

“O ofício protocolado continha pedido de verba para construção do restaurante do instituto, pedido de uma cabine de energia e construção de uma quadra (hoje os alunos do IF fazem educação física na quadra de uma escola municipal)”, explica Natália.

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De acordo com a ativista, a representante do MEC destacou que a prioridade é atender os restaurantes universitários com máxima urgência e que a antiga reitoria do IFPR não havia liberado merenda para nenhum campus e “nunca priorizou, tanto que o Paraná não tinha nenhum IF com alimentação sendo servida”.

“Porém, o presidente Lula disse que o MEC e o Setec precisam resolver essa situação, e agora já assinou o novo PAC que vai priorizar quadras e alimentação. Existem já 50 unidades mapeadas para encaminhar orçamento para custear esses dois serviços, e o Paraná está nesta prioridade”, garantiu a representante a Natália.

“Foi um encontro muito emocionante, quando falei do IF me emocionei muito, pois através do Instituto Federal do Paraná campus Londrina meu filho é calouro na UEL no curso de engenharia elétrica”, conta. “Meu filho viajou com o time de futebol, treinou xadrez, fez inglês e espanhol (além do obrigatório), robótica, participou de projeto da NASA e foi bolsista durante seus 4 anos, o que ajudou muito, pois conseguia ter tbm uma autonomia financeira”.

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Letalidade policial

Na Secretaria Nacional de Juventude, Natália protocolou o dossiê do movimento Justiça por Almas (vídeo acima), composto por familiares de jovens mortos pela polícia em Londrina e região. Recebida pela secretária adjunta Jessi Dayane, ela destacou:

“Quando você vai ver esses jovens que foram assassinados pela polícia, nem sempre são negros por estarmos no sul do país. Entendemos que lá é muito mais pela questão geográfica. De acordo com o bairro, se é uma região periférica, a letalidade é muito maior”.

A conversa, na avaliação da ativista, foi positiva e as ações voltadas à juventude negra e periférica vão ser desenvolvidas em parceria por 16 ministérios.

“Devem iniciar em breve e teremos três cidades-piloto (uma no estado de São Paulo e duas na região norte/nordeste), em seguida, após os ajustes, o plano seguirá Brasil afora; as cidades foram escolhidas de acordo com as demandas da Caravana Juventude Negra Viva. Nosso pedido foi garantirem a vinda das ações para a cidade de Londrina, para reduzir as mortes dos nossos jovens oriundas de ‘confronto com a polícia’”, explica Natália.

Também na secretaria foi protocolado o manifesto da cultura hip-hop de Londrina “RAP Vive”. Os mesmos documentos foram protocolados no Ministério da Igualdade Racial.

“Com documentos protocolados temos agora onde cobrar e temos protocolo para isso”, finaliza a ativista.