Por Vinícius Fonseca*
É muito comum ouvir que hoje a inclusão está na moda. Ou até que as pessoas andam reclamando demais e há muito mimimi (Cheguei a falar um pouco sobre isso em colunas anteriores). Longe de querer ser o portador da verdade, mas avalio como necessário refletir sobre esses dois aspecto=
A diversidade e a inclusão realmente têm ganhado espaço nos últimos anos, porém não deve ser encarada como a demanda da moda e sim como uma necessidade real e que chega atrasada.
Aos que reclamam do mimimi, certa vez ouvi uma pessoa que mudou minha percepção. Ela comparou a luta das minorias e o tal exagero enxergado por alguns como um grito de alguém que foi silenciado por muito tempo. Às vezes, esse grito, de tão desesperado e preso há tanto, pode sair um pouco fora de tom, mas a beleza das mudanças e da própria vida é que com o tempo tudo encontra o seu lugar.
Com as Pessoas Com Deficiência (PCDs) eu acredito que não será diferente, logo encontraremos nosso lugar. É verdade que o nosso desafio para agora é: Gerar espaços que promovam a inclusão, discutam o tema com a urgência que merece e garantam um futuro de mais cuidado e aceitação da sociedade, para que os PCDs das próximas gerações possam viver e conviver em um mundo mais justo, apesar de suas limitações.
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Por que estou escrevendo sobre isso? Bem, ontem (7 de abril), foi o Dia do Jornalista e recentemente, em 31 de março, a Rede Lume completou cinco anos de existência. Eu vejo essas duas datas como fundamentais na garantia do espaço que sonho às pessoas com deficiência.
Como jornalista formado desde 2008, lembro que a minha entrada na Universidade tinha o propósito de contribuir com as pessoas, a comunidade e o mundo. Eu queria reportar aquela que seria a história do futuro. Contar fatos marcantes e estar vendo tudo isso de perto.
Hoje entendo que mais do que contar a história do futuro, o papel do jornalista também pode ser mudar o presente por meio da defesa da verdade e o enfrentamento das injustiças. São essas injustiças, por exemplo, que silenciam as minorias, minorias como nós, pessoas com deficiência.
Quantos veículos de imprensa você conhece que têm um espaço específico dedicado a tratar temas relacionados aos PCDs? Quantos apresentadores de telejornais você vê com alguma deficiência? Quando muito, o que se vê são matérias especiais em dias específicos relacionados à alguma deficiência.
Isso é verdade na maior parte dos espaços conhecidos da mídia, mas você chegou aqui na Lume e aqui o jornalismo tenta cumprir com um dos seus papéis mais relevantes, o de discutir a sociedade e suas causas sociais.
Foi aqui que encontrei espaço para me colocar como pessoa com deficiência e de tempos em tempos tento fazer reflexões acerca do universo PCD chegarem até os leitores. Não espero que sempre concordem comigo, a ideia é que possam refletir sobre os mais diferentes temas e que levem essas discussões adiante.
A luta por um lugar assim é uma luta do presente. A Lume é o futuro! Feliz dia do jornalista e vida longa à Rede Lume.
*Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente.
