Fórum classifica fechamento de novas turmas como “mais um ataque do governo” à modalidade de ensino
Cecília França
Foto: Manifestação contra fechamento de turmas da EJA em Londrina, 2020/Ivo Ayres
O Fórum Paranaense de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Região de Londrina emitiu nota nesta semana contra o que classifica como “mais um ataque do governo de Ratinho Jr. contra a oferta de escolarização para trabalhadores(as) jovens e adultos”. O Fórum trata do fechamento das turmas de EJA no Parque Universidade e Jardim Santa Fé, em Londrina, e no Jardim Santo Amaro, em Cambé, a partir de 2025. Nestes locais funcionam as Ações Pedagógicas Descentralizadas (APEDs), sob coordenação do CEEBJA Herbert de Souza de Londrina.
De acordo com o Fórum, desde 2019 o governo estadual, por meio da Secretaria de Estado da Educação (SEED/PR), vem implementando ações que dificultam o acesso e a permanência dos estudantes nas escolas que ofertam a EJA e, mais recentemente, tem intensificado o fechamento de turmas, turnos e escolas desta modalidade de ensino. O principal argumento utilizado pelo governo é o da alta evasão escolar e da queda nas taxas de matrículas na forma presencial. Para o Fórum, porém, esta não é uma justificativa válida.
“(…) não reconhece que as principais causas da queda de matrículas foram as mudanças no sistema da EJA realizadas por este mesmo governo como a que, dentre outras medidas, substituiu a oferta de matrículas por disciplina e de formação de turmas atendidas de forma coletiva ou individual pela organização de módulos semestrais engessados que dificultaram a frequência e a conclusão das etapas de ensino, impondo, inclusive, horários de aulas totalmente inadequados para os(as) trabalhadores(as).”, afirma a nota do Fórum.
90 mil alunos a menos
De acordo com o Fórum Paranaense de Educação de Jovens e Adultos (EJA), dados levantados pelo Ministério da Educação (MEC) mostram queda de 59% nas matrículas da modalidade no Paraná entre 2019 e 2022. Em contraponto, o Estado, segundo o IBGE, lidera o ranking de analfabetismo na região sul do país.
A APP Sindicato aponta uma queda abissal no número de alunos matriculados na EJA no Paraná. Em 2024, são 32.537 estudantes, enquanto em 2019, primeiro mandato de Ratinho Jr., eram 125.881 alunos(as).
“Desse modo, Ratinho Jr. nega o direito público subjetivo de acesso à educação de todos(as) aqueles(as) que não puderam estudar em tempos passados e suprime o direito de cada um de concluir suas etapas de estudos nas escolas onde foram matriculados(as). Ao mesmo tempo, incentiva a proliferação de cursinhos privados que lucram com a venda de ‘aulas’ preparatórias para o ENCCEJA e obriga os CEEBJAs a ofertarem a EJA à distância, que se traduz, na prática, em distribuição de certificação vazia”, acusa o Fórum da EJA.
Posição da SEED
A Seed confirmou à reportagem, por meio da assessoria, que o fechamento das turmas se dará por “falta de estudantes (número de matrículas insuficientes)”.
“A turma da Escola Ruth (Ferreira de Souza, no Parque Universidade) será atendida pelo colégio que oferta EJA e fica no mesmo bairro, Colégio Olavo Garcia. A turma do Andrea Nuzzi será atendida pelo Colégio Olavo Bilac e a turma atendida na escola Maria Cândida (Jd. Santa Fé – 5 alunos) será atendida na sede CEEBJA Herbert de Souza”, informa a assessoria. “As outras serão distribuídas para outras instituições, no mesmo bairro, de forma a garantir o atendimento”.
Ao menos desde 2020 o Fórum Paranaense de Educação de Jovens e Adultos vem promovendo manifestações contra as dificuldades de acesso à EJA na região de Londrina.
