Prédio imponente do século 19, o Palácio dos Campos Elíseos agora é sede do Museu das Favelas, em São Paulo

Nelson Bortolin

A favela ocupou o palácio. Pelo menos em São Paulo.

Desde novembro do ano passado, está aberto ao público o Museu das Favelas, instalado no imponente Palácio dos Campos Elíseos, na Avenida Rio Branco, centro da cidade.

O prédio foi construído na década de 1890 para ser a residência de um importante cafeicultor. Durante boa parte do século passado, funcionou como sede do governo do Estado.

São 4 mil metros quadrados de área construída divididos em 4 pavimentos. Por enquanto, apenas um dos andares está ocupado. Mas já há muita coisa bonita para se ver.  

“Já fazia tempo que o Celso Athayde (fundador da Central Única das Favelas – Cufa) pleiteava um espaço onde a gente pudesse reunir toda a potência que existe dentro das favelas”, conta a coordenadora de Relações Institucionais do Museu, Carla Zulu. “Foi uma grande negociação com o governo do Estado”, lembra.

O Museu foi criado por decreto estadual em 2021 e a gestão foi terceirizada para o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). “A instalação do Museu dentro do Palácio dos Campos Elíseos (que hoje pertence à Secretaria Estadual de Cultura) tem uma simbologia muito grande. No imaginário das pessoas, favela é local de ausência de Estado, de falta de recursos”, ressalta coordenadora.

Ela conta que o prédio foi construído por mão-de-obra precarizada. “Quem fez o palácio foram os negros recém-alforriados e alguns imigrantes que chegavam ao Brasil. Ocupar esse espaço tem total relevância para a favela.”

Visão Periférica – sala de vídeos e projeções do Coletivo Coletores

Quem for visitar o Museu – que tem entrada gratuita e funciona das 9 às 18 horas de terça-feira a domingo – vai poder apreciar a arte de importantes artistas periféricos e ou pretos, como a instalação Raízes, feita em crochê por Lídia Lisboa. Ou vídeos e projeções assinados pelo Coletivo Coletores.

Há ainda uma biblioteca e um serviço de fomento ao empreendedorismo funcionando dentro do Museu, que tem 50 colaboradores selecionados pelo IDG em vagas afirmativas. “90% do pessoal têm origem periférica e ou negra”, diz a coordenadora.

As exposições artísticas são temporárias “Em breve, teremos outras instalações em mais dois pisos do prédio”, conta.

SERVIÇO:
Endereço: Avenida Rio Branco, 1269 (entrada pela Rua Guaianases)
Funcionamento: De terça a domingo, das 9 às 17 horas, com permanência até às 19 horas.
Entrada gratuita

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