Nos 80 anos dos ataques nucleares promovidos pelos EUA contra as cidades japonesas, a londrinense Bruna Tukamoto expôs comentários ofensivos e propôs reflexão

Cecília França

Este 6 de agosto de 2025 marca os 80 anos dos ataques nucleares dos Estados Unidos às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, que vitimaram mais de 100 mil pessoas. Nesse dia de reflexão sobre a desumanidade dos ataques, a influenciadora londrinense Bruna Tukamoto expôs comentários ofensivos e piadas de mau gosto que já recebeu em suas redes envolvendo a temática.

Em vídeo publicado no Instagram, a influenciadora atribuiu o comportamento, além da desumanidade, ao desconhecimento sobre a proporção e as consequências dos ataques. Por isso, indicou leituras sobre o tema.

Meu Deus cadê a bomba de Hiroshima Nagasaki (sic) quando a gente precisa”, “Hiroshima e Nagasaki, você gosta?” e “como foi presenciar a bomba nuclear em Nagasaki” foram alguns dos comentários expostos por Bruna.

“Esses são alguns dos vários comentários que eu já recebi nas minhas redes sociais”, iniciou, e seguiu contextualizando os ataques: “As bombas atômicas foram lançadas pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki nos dias 6 e 9 de agosto de 1945. Foi o marco do fim da Segunda Guerra Mundial e o início de um trauma coletivo que ecoa até hoje. Oitenta anos se passaram e japoneses e descendentes ainda sofrem com comentários violentos que relativizam esse ataque nuclear”.

Bruna cita casos de visibilidade, como do jogador brasileiro de eSports Lucas Dias que, há alguns meses, perdeu para um time japonês e publicou um GIF da bomba atômica. A Honda rompeu o contrato de patrocínio com o time. Em 2023, memes com os filmes Ophneimer e Barbie também fizeram alusão às bombas de forma desrespeitosa.

“E antes que comentem ‘Bruna, mas o Japão imperialista também cometeu atrocidades”, sim, eu sei, e foi cruel, mas a gente tem que concordar que um erro não justifica o outro. Usar bombas como piada é rir da dor de milhares de famílias, de danos físicos e psicológicos presentes até hoje. É perpetuar o racismo e a xenofobia”, acrescenta.

Na publicação, Bruna deixa dicas de leitura para a compreensão da gravidade e da proporção dos ataques (veja abaixo). “Já passou da hora de entender é que isso tá bem longe de ser humor”, finaliza.

Indicações de leitura

ABREU, Luiz Fernando. Mangá Gen – Pés Descalços é tema de pesquisa de mestrado na UEL

Hiroshima e Nagasaki: como foi o ‘inferno’ em que milhares morreram por causa das bombas atômicas

MUNHOZ, Lucas Ciamariconi. Da alteridade à identidade: Representações do atômico nos mangás e na cultura pop japonesa