Bruno Soares, de Foz do Iguaçu, vem sofrendo perseguição de grupos extremistas por expor áudios em que pedagoga eleita para o Conselho defende castigo físico contra crianças
Da Redação
Imagem em destaque: Nota do Sindijor PR
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) emitiram nota de solidariedade e apoio, na última semana, ao jornalista Bruno Soares, de Foz do Iguaçu. De acordo com o sindicato, desde a veiculação da reportagem “Conselheira tutelar eleita em Foz defende ‘pedagogia da tortura’“, em 4 de outubro, pelo portal de notícias Plural, Soares sofrido uma campanha de difamação e hostilização por grupos extremistas.
Na matéria, Soares aborda como a pedagoga Leila Bencke, eleita conselheira tutelar na cidade, se posicionou em áudios distribuídos em um aplicativo de mensagens sobre a utilização de castigos físicos como prática na educação. No mesmo dia em que a matéria foi publicada, a conselheira divulgou vídeo nas redes sociais em que, além de não negar a autoria dos áudios, ainda atribuiu a Soares suposta conduta criminosa, como se o jornalista tivesse interesse particular em expor o fato de uma conselheira tutelar eleita ter realizado apologia ao uso de violência para educar.
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“O SindijorPR reitera sua defesa intransigente quanto ao direito à informação, previsto na Constituição Federal, e que contempla tanto a garantia aos jornalistas de apurar e prestar informações, quanto o direito que a sociedade tem de acesso a esse conteúdo – tão fundamental para a existência da própria democracia.”, afirma o sindicato.
Na nota, o Plural também se posicionou em defesa do jornalista: “O Plural afirma que confia plenamente na apuração do repórter, que ao longo dos anos vem fazendo um trabalho de excelência na região de Foz. Os editores tiveram acesso ao material usado e afirmam que a reportagem reproduz com correção e honestidade o que a conselheira eleita disse. O jornal diz ainda que reafirma sua postura de defesa da infância e que se dedicou nos últimos meses à cobertura da eleição do Conselho Tutelar justamente por entender que a população precisa ser informada sobre as posturas de quem trabalha com um assunto tão importante e delicado.”
À Rede Lume, Soares destaca que a perseguição que vem sofrendo parte de uma distorção do trabalho jornalístico “como se, ao exercer meu trabalho como jornalista eu estivesse a serviço de terceiros.”
O Diretório do PDT em Foz também emitiu nota de solidariedade ao jornalista “em consonância com a visão de Leonel Brizola, que enfatizava: ‘Não há democracia sem um poderoso sistema de comunicação, que se realize com a maior liberdade de expressão’”.
As eleições para o Conselho Tutelar este ano tiveram participação recorde em todo país e repetiram a polarização entre progressistas e conservadores vista nas últimas eleições presidenciais.
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