“Jogaram pedra no ônibus que eu estava, atingiu uma menina na minha frente”, conta o jornalista graduado pela UEL Guilherme Strozi, que vive em Brasília há 15 anos
Cecília França
Foto em destaque: Ônibus ocupado por Strozi após ser depredado/Arquivo pessoal
O jornalista Guilherme Strozi estava em um dos ônibus atacados por um grupo bolsonarista na noite dessa segunda-feira (12), em Brasília. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Strozi vive e trabalha na Capital há 15 anos. Diariamente passa pelos arredores da via W3 Norte, próximo à sede da Polícia Federal, onde vivenciou o ataque por volta das 20h30 de ontem.
“O ônibus saiu da rodoviária, entrou na W3 Norte e os pneus estouraram numa barricada. A galera começou a jogar paralelepípedo dentro do meu ônibus. Atingiu uma menina na minha frente, que caiu com a cabeça sangrando. Estouraram todas as portas, renderam o motorista e (diziam) ‘desce todo mundo, desce todo mundo’”, contou ele, por áudio, logo após o atentado.
O ônibus ocupado por Strozi foi apenas um dos atacados na noite de ontem. Outros cinco foram queimados e carros foram depredados no entorno da sede da Policia Federal.
“Não senti que houve intuito de parar aquele ônibus específico, foi aleatório, eu acho. Quando começou o motim terrorista, eles pararam o primeiro ônibus que viram ali. É um ônibus que vai para a Granja do Torto”, relata o jornalista.



Segundo o portal G1, o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal confirmou que três carros e cinco ônibus foram queimados durante os atos de vandalismo ocorridos na noite de ontem.
Os bolsonaristas tentaram invadir o prédio da Polícia Federal e quebraram vidros da 5ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte. Policiais militares entraram em confronto com o grupo, que colocou botijões de gás em vias próximas ao local.
Ainda de acordo com o G1, na manhã desta terça-feira (13), a Esplanada dos Ministérios amanheceu fechada para o trânsito de veículos. Também havia bloqueios na Praça dos Três Poderes e nas proximidades do Setor Hoteleiro Norte e da sede da Polícia Federal.
Os atentados ocorreram após o cumprimento de um mandado de prisão temporária contra o indígena José Acácio Tserere Xavante, apoiador de Jair Bolsonaro. O pedido de prisão foi feito pela Procuradoria-Geral da República e acatado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Tserere é acusado de participação e incitação à crimes em atos antidemocráticos que ocorrem em todo o País desde a derrota do atual presidente no segundo turno das eleições.
Ontem aconteceu a diplomação do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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