Entendimento recente do Supremo é de que decisão de júri popular deve ser cumprida de imediato. por isso, Gerson Krober não poderá mais recorrer em liberdade

Nelson Bortolin

O juiz Paulo Cesar Roldão, da 1ª Vara Criminal de Londrina, determinou a prisão do ex-policial militar Gerson Kroker (foto/reprodução YouTube), condenado a 12 anos de prisão pelo homicídio de Nelson Júnior Militon Moura durante uma abordagem policial realizada dia 27 de março de 2018 em Londrina.

A condenação de Kroker em júri popular se deu no dia 17 de outubro do ano passado, no Tribunal do Júri da Comarca de Londrina, e ele tinha o direito de recorrer em liberdade. A determinação do juiz, datada do último dia 22, se baseou em recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a qual a soberania do Tribunal do Júri justifica a execução imediata da pena imposta.

Kroker só foi exonerado da corporação após a condenação.

Nelson em foto de arquivo familiarKroker só foi exonerado da corporação após a condenação.

 

De acordo com o site do Ministério da Justiça, o mandado de prisão está “pendente de cumprimento”. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do ex-policial.

A condenação do PM londrinense é um caso raro. Embora existam muitas denúncias de execução cometidas por agentes de segurança, poucos são processados e esses poucos costumam ser absolvidos, como nos casos do adolescente Gabriel Sartori, do Zequinha e da chacina conhecida como Noite Sangrenta.

Viúva da vítima, Samanhta Monteiro diz que a família recebeu a notícia do mandado de prisão com esperança. “Estamos nos sentindo um pouco mais leves, mas justiça mesmo só quando ele for preso”, afirma. Ela teve dois filhas com Nelson Moura, uma de 9 e outra de17 anos.

História

Durante o julgamento, a versão do policial era de que, no dia da morte, ele e outros dois colegas faziam policiamento de rotina no Jardim São Jorge (zona norte) e pararam a viatura ao estranharem o comportamento de um homem que parecia avisar um parceiro da presença da polícia.

Depois de abordar essa pessoa, os policiais entraram na casa e teriam sido recebidos por Moura com arma em punho. Kroker alegou que, por isso, precisou atirar.

Foram dois tiros, conforme apontou laudo do IML: um entrou pela região infra escapular direita (costas) e saiu pela região esternal (peito) da vítima. O outro entrou pela região “posterior do terço distal do antebraço direito” e saiu pela “região anterior do terço médio do antebraço direito”.

O Júri entendeu que essas lesões combinam mais com a versão dada pela acusação: quando a polícia entrou na casa, Moura teria levantado a camisa e depois virado de costas para mostrar que estava desarmado. Mesmo assim, foi alvejado.

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