Em Curitiba, parlamentar participou de protesto contra morte de um homem negro ocorrida em uma loja de Porto Alegre
Por Aline Reis, do Plural
Foto: Guilherme Bittar/Plural
O deputado estadual Renato Freitas (PT) foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) a 3 meses de detenção, neste terça-feira (23), após ser denunciado pelo Ministério Público por pichar uma loja do Carrefour, em Curitiba. Ele vai recorrer da decisão.
A sentença, assinada pelo juiz César Maranhão de Loyola Furtado, é considerada uma retaliação pelo parlamentar. A sentença prevê, além de detenção, dez-dias multa. O período de detenção, menor que um ano, pode ser convertido a prestação de serviços comunitários.
“O julgamento que aconteceu sem ouvir o deputado (revelia) e a consequente condenação, quase 4 anos após o caso, é claramente uma retaliação aos seus posicionamentos firmes contra os privilégios e impunidades do Poder Judiciário no Paraná. Renato Freitas tem uma atuação combativa, denunciando corajosamente as corrupções e os corruptos do sistema, motivo pelo qual já sofreu ameaças de morte, ataques em Plenário e tentativas de cassação de seu mandato”, diz em nota o deputado.
Relembre
Em novembro de 2020, João Alberto Silveira Freitas, homem negro, foi espancado e morto por seguranças de uma loja do Carrefour, no Rio Grande do Sul. O caso chocou o Brasil e gerou uma onda de protestos do Movimento Negro.

Em Curitiba houve ato em 21 de novembro do mesmo ano, no Parolin. Entre os participantes estava o parlamentar, que escreveu a frase: “A injustiça praticada em qualquer lugar do mundo é uma ameaça à justiça em todos os lugares do mundo”, atribuída a Martin Luther King, na fachada da loja. Para o Ministério Público do Paraná isso foi grave, por isso o deputado (à época vereador de Curitiba) foi denunciado.
“Essa condenação reforça a perseguição política contra o deputado Renato Freitas no estado do Paraná e ataca milhares de pessoas que defendem uma sociedade livre do racismo”, criticou o parlamentar na mesma nota enviada à imprensa.
Relembre o protesto em Londrina:
