Procedimento será feito nesta sexta-feira (19), às 9 horas, na PR-445, em frente à UEL

Nelson Bortolin

Será realizada às 9 horas da manhã da próxima sexta-feira (19) a reprodução simulada da operação policial que resultou na morte de Anderbal Campos Bernardo Júnior (à esquerda na foto), de 21 anos, e Willian José Faramilio da Silva Júnior (à direita), de 18, no dia 6 de maio de 2022, na PR-445, em frente ao campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

A ação, conduzida por equipes da Choque e da P2 da Polícia Militar, terminou com 50 tiros disparados contra o veículo Cruze branco em que estavam os dois jovens e um terceiro rapaz, que sobreviveu. Os policiais alegaram que os três apontaram armas de fogo e que foi preciso reagir em legítima defesa.

O inquérito aberto à época foi arquivado em Londrina a pedido do Ministério Público local, mas a promotora Camila Adami Martins, da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos (SubJur), determinou sua reabertura em dezembro de 2024. Para ela, houve no mínimo “excesso doloso” por parte dos policiais.

No caso dos três jovens, as palavras dos policiais apresentaram inconsistências relevantes sobre pontos fundamentais da dinâmica delitiva e revelam incompatibilidades com a prova pericial, com os documentos colhidos na investigação e com os relatos de terceiros”, destacou a promotora em seu despacho.

Entre as inconsistências apontadas estão:

  • a existência de perfurações nas portas do veículo incompatíveis com as posições relatadas dos policiais;

  • um disparo à queima-roupa no motorista, não explicado pelos relatos oficiais;

  • o fato de três armas terem sido entregues posteriormente por um policial, sem apreensão imediata pela perícia;

  • denúncias de ameaças anteriores feitas por policiais a uma das vítimas.

O sobrevivente, que tinha 23 anos e estava no banco traseiro, foi inicialmente acusado por crimes como porte de arma e receptação, mas acabou absolvido de todas as acusações. Ele relatou ter visto os policiais retirarem o corpo de Anderbal do carro e “plantarem” armas na cena.

Ato religioso

Na quarta-feira (17), as famílias dos dois jovens mortos realizam um ato religioso em homenagem a eles no local da morte.

Segundo a coordenadora do Movimento Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta, Haydee Melo, que é tia de Willian, o jovem sobrevivente confirmou a participação na reprodução simulada.

Ela afirmou que o procedimento será fundamental para provar a inocência dos rapazes. “Nós sabemos que eles não estavam armados. Faz três anos que nós e a família do Anderbal sofremos a dor pela perda dos meninos e ainda somos obrigados a ouvir que eles eram bandidos perigosos. Isso é mentira e vamos provar”, declarou.