Em 2024, as forças de segurança mataram 413 pessoas no Estado, contra 348 óbitos do ano anterior

Nelson Bortolin

Foto em destaque: Ato em memória de jovens mortos pela polícia em Londrina/Rede Lume

Depois de um único ano em queda desde 2017, o número de mortes pela polícia no Paraná voltou a crescer em 2024. Segundo levantamento divulgado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) nesta quarta-feira (22), as forças de segurança (Polícia Militar, Polícia Civil e guardas municipais) mataram 413 pessoas no Estado no ano passado, contra 348 em 2023. O aumento é de 19%.

A coletiva de imprensa, que foi realizada pelo MPPR em Curitiba e transmitida pelo Youtube, contou com a presença do procurador de Justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Cláudio Esteves, e do promotor de Justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), Ricardo Casseb Lois.

O relatório anual de letalidade policial, que ganhou nova metodologia, passa a ser de responsabilidade desses dois órgãos.

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A principal diferença implementada pela nova metodologia é que agora serão divulgados o número total do que se convencionou chamar de confrontos policiais, o número de “confrontos com resultado morte”, e o de “confrontos com resultado lesões corporais”.

Segundo o relatório, foram 433 confrontos, com 413 mortes e 112 pessoas com lesões corporais.

NÚMERO DE MORTES PELA POLÍCIA DESDE 2017

Londrina é campeã de casos

O MPPR não divulgou o número de mortes por município, apenas o geral de confrontos, o que dificulta a comparação pelo histórico que a Rede Lume mantém desde 2017. A assessoria de imprensa do órgão diz que essas informações específicas serão divulgadas oportunamente.

De qualquer forma, o mapa do Ministério Público coloca Londrina de novo como a cidade onde proporcionalmente há mais violência policial. Dos 433 confrontos, 98 ocorreram em Curitiba e 43 em Londrina. Isso significa que, na Capital, ocorreram 5,5 confrontos a cada 100 mil habitantes. Nessa mesma comparação, em Londrina foram 7,7 confrontos

Três cidades do Paraná estão em terceiro lugar no ranking de casos de confronto: São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu e Colombo. Cada uma teve 15 óbitos.

Logo em seguida vem a “pacata” Cambé, com 12 casos. Somando as ocorrências de Londrina, Cambé e Ibiporã, foram 61 confrontos em 2024.

PM responde por quase a totalidade

A PM foi responsável por 97,7% das mortes e lesões corporais ocorridas em 2024 no Paraná. A Polícia Civil respondeu por 1,2% e as guardas municipais por 0,9%. “Esses números identificam uma ocorrência muito maior da Polícia Militar pela natureza da atividade ostensiva dela. É natural que haja um número muito maior de ocorrências ligadas à PM”, avaliou Claudio Esteves durante a coletiva.

Segundo ele, o MPPR espera que haja uma diminuição dos casos. “Nosso objetivo, além da apuração daqueles fatos que a gente identifica como criminosos, nós queremos que haja uma diminuição desses números com atividade preventiva que nós estamos tratando junto com as chefias das polícias, sobretudo da Polícia Militar.”

Questionado sobre o aumento dos casos, o promotor Ricardo Casseb Lois respondeu: “Fica extremamente difícil se estabelecer uma relação de causa e efeito; dizer o que pode ter causado um aumento em dado período temporal, recorte temporal.”

Mas o Ministério Público, segundo ele, vai se esforçar para entender melhor o problema. “O que se pretende é justamente a partir de agora ter esse olhar para todos os dados que são fornecidos sobre um confronto policial e tratando, compilando, interpretando esses dados, buscar as potenciais causas.”

Clique aqui para assistir à coletiva.