Gaeco diz que afastamento de 13 PMs no ano passado foi “educativo” para toda a corporação; Sesp alega que fez “treinamento”
Nelson Bortolin
O promotor Denilson Soares de Almeida, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Curitiba, está certo de que a letalidade policial vai apresentar uma queda significativa neste ano no Paraná.
Se isso se confirmar, será um fato inédito desde 2017, quando essas mortes começaram a aumentar ano a ano no Estado. A única exceção foi 2019, ano em que foi registrada uma queda de 6%.
No ano passado, as forças de segurança, principalmente a Polícia Militar, mataram 488 paranaenses. A comparação direta com 2017, quando foram 276 casos, mostra um aumento de 77% (ver quadro). O Gaeco é o órgão responsável por contabilizar a letalidade policial.
O promotor se baseia em dados preliminares somente da Rone (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) para apostar na queda de óbitos. De agosto de 2021 a julho de 2022, o grupo especial da PM realizou 82 “confrontos” que resultaram em 131 mortes. Já entre agosto de 2022 e julho de 2023, foram 36 “confrontos” e 54 mortes.
Ou seja, o número de confrontos caiu 56% e o de mortes, 59%.
Em entrevista à Rede Lume, ele conta que a hipótese mais plausível para essa queda na letalidade policial é a operação Vehmico, do Gaeco, pela qual foram afastados 13 PMs da Rone no Paraná em dezembro do ano passado. O nome da operação se refere aos tribunais secretos realizados na idade média, no qual a única pena possível era a morte. “Percebemos que, após o afastamento, os casos começaram a diminuir”, afirma.
Familiares de pessoas mortas pela polícia organizadas no Movimento Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta acreditam que seus familiares morreram executados pela PM que teria “plantado” armas nos locais das mortes, prática atribuída aos policiais afastados na Vehmico. A polícia sempre diz que houve confronto e que as pessoas reagiram armadas.
O promotor ressalta que os 13 policiais não foram responsáveis por todas as mortes. Mas a punição dada a eles teria servido de exemplo para outros que abusam da força em todo o Estado. “Houve um efeito educativo”, declara.
Para Denilson de Almeida, é importante que a sociedade cobre que todas as viaturas sejam monitoradas pelo GPS. E que todas as comunicações realizadas pelos policiais sejam gravadas. Além, é claro, da adoção das câmeras nos uniformes dos PMs.
“Não podemos afirmar se esse resultado (de queda nas mortes) será permanente ou temporário. Temos a percepção de que, se todos os policiais utilizarem câmeras, esse efeito será mais robusto.”
“TREINAMENTO”
A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) disse que os confrontos no Paraná reduziram “devido aos treinamentos, qualificação de ações de policiais e com o emprego do policiamento presente em todos os locais dos 399 municípios paranaenses”.
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