O cearense Felipe Caetano da Cunha tornou-se representante da luta contra o trabalho infantil inclusive na ONU
Nelson Bortolin
O jovem cearense Felipe Caetano da Cunha, de Aquiraz (CE), hoje com 21 anos e estudante de Direito, tornou-se um símbolo de luta contra o trabalho infantil. Ele começou a trabalhar alugando pranchas na praia para o pai adotivo, ainda aos 8 anos.
Depois, passou a atender os clientes na barraca e logo ganhou sua própria “praça”, ou seja, um local onde ele sozinho atuava como dono. O trabalho em família era algo natural para ele e os parentes.
Felipe é um dos palestrantes do X Seminário Estadual ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente: Esperançar é preciso, que começa amanhã (1) em Londrina.
A Rede Lume entrou em contato com ele para uma entrevista, mas Felipe ainda não conseguiu agendar um horário porque está numa missão na Amazônia.

Em vídeos na Internet, até mesmo no programa do Luciano Hulk, na Rede Globo, ele explica como foi se dar conta de que não deveria estar trabalhando.
“A lógica do trabalho infantil é que, para o fiho do pobre, o trabalho é remédio”, conta. Tendo se envolvido com os Núcleos de Cidadania de Adolescentes (Nucas), ele começou a se transformar.
“Numas das rodas em que discutíamos direitos humanos, tivemos um encontro com um procurador do Ministério Púbico, o cearense Antonio Lima. E eu me identifiquei totalmente com o tema da exploração do trabalho infantil.”
Tornou-se um militante da causa, mas começou a receber questionamentos difíceis de responder: “Como você pode falar mal do trabalho infantil se você mesmo trabalha na barraca da praia”?
Trabalho infantil reduz oportunidades no futuro
“Eles tinham toda razão e um dos meus maiores desafios foi justamente conscientizar a família que o trabalho infantil era errado.” A mãe chegou a ficar com medo de ele tornar-se um “vagabundo”.
Mas, conforme explica o jovem, quem passa pelo trabalho infantil tem sempre menos oportunidade na vida adulta. “Consegui convencer minha mãe e quebrar o ciclo de trabalho infantil da minha família.”
Felipe passou a atuar cada vez mais nessa militância em todo o Ceará. E ajudou a criar comitês de jovens contra o trabalho infantil no País todo. Em 2016, junto com o Ministério Público, realizou o primeiro encontro nacional de adolescentes contra o trabalho infantil.
Segundo ele, o Ceará, que era um dos Estados com maior índice de ocorrências – cerca de 250 mil casos – hoje tem cerca de 80 mil.
Em 2019, a luta do cearense ultrapassou as fronteiras do País. Ele discursou na ONU, em Nova Yourk, sobre o tema.
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