Com aprovação da Lei Municipal 1.3464/2022, mês de maio terá ações na cidade voltadas ao bem-estar e à saúde mental de gestantes e puérperas
Mariana Guerin
Foto em destaque: Vivian Honorato/N.Com
Na manhã desta quinta-feira (19) foi divulgada a Lei Municipal 1.3464/2022, que institui o mês Maio Furta-Cor em Londrina, dedicado às ações de conscientização, incentivo ao cuidado e promoção da saúde mental materna.
A lei de autoria da vereadora Flávia Cabral prevê reuniões, palestras, cursos, oficinas, seminários e distribuição de material informativo sobre o tema. As ações devem priorizar a conscientização da população sobre a importância da saúde mental materna e o incentivo aos órgãos da administração pública municipal, empresas, entidades de classe, associações, federações e à sociedade civil organizada para se engajarem nas campanhas.
Por meio da lei, a Prefeitura de Londrina também poderá constituir parcerias com a iniciativa privada para desenvolver, em conjunto, atividades e serviços correspondentes às ações de conscientização do mês Maio Furta-Cor, que contarão com dotações orçamentárias próprias.
A escolha do mês de maio faz referência à celebração nacional do Dia das Mães e o furta-cor foi escolhido em virtude de sua tonalidade, que se altera de acordo com a luz que recebe, semelhante à maternidade, que apresenta um espectro singular para cada mulher.
Maio Furta-Cor: dados de saúde materna assustam
Os dados sobre saúde mental materna pedem atenção: sete em cada dez mulheres ocultam ou minimizam seus sintomas, segundo estimativas do World Maternal Mental Health Day (Dia Mundial da Saúde Mental Materna).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), muitas gestantes e puérperas estão sob o risco de não serem diagnosticadas quando em estado negativo de bem-estar. Neste caso, perde-se a oportunidade de identificar situações de ansiedade, estresse e problemas de enfrentamento.
A depressão pós-parto está sendo objeto de avaliação em muitos países e em alguns, inclusive, há suporte para diagnóstico da depressão pré-natal. Ainda conforme a OMS, cerca de 10% das mulheres grávidas e 13% das puérperas apresentam algum transtorno mental e a depressão pós-parto pode atingir de 10% a 20% das puérperas.
No Brasil, em cada quatro mulheres, mais de uma apresenta sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê, conforme estudo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz).
Na elaboração do projeto de lei, a vereadora Flávia Cabral destacou que “devido à alta prevalência das alterações mentais puerperais, é de fundamental importância conhecer e diagnosticar precocemente sinais e sintomas de depressão pós-parto, na assistência à saúde da mulher, além da necessidade de políticas mais abrangentes do que as existentes”.
“É importante avaliar o bem-estar das mulheres durante o período pré-natal e pós-parto e, desse modo, possibilitar que procurem apoio de profissional de saúde ou busquem ajuda de membros da família ou amigos, o que será estimulado com a campanha proposta.”
“É importante considerar a promoção do bem-estar e de ações que ajudem a mantê-lo, além de desenvolver estratégias de enfrentamento e formas para lidar com situações de ansiedade e estresse, e também como construir redes de apoio, o que será possível com os convênios e parcerias criadas por meio da presente proposta”, diz o texto sancionado pelo prefeito Marcelo Belinati.
‘Estar no calendário dá visibilidade ao tema’
Para a psicóloga Ana Carolina Di Giorgi, uma das coordenadoras da campanha Maio Furta-Cor em Londrina, fazer o Maio Furta-Cor ser parte do calendário oficial do município realmente dá visibilidade para o tema.
“A gente tem de paralelo o Outubro Rosa, por exemplo, que hoje reúne inúmeras ações tanto de políticas públicas quanto iniciativas privadas. Então, a gente pretende fazer algo semelhante com o Maio Furta-Cor, por meio da conscientização da sociedade sobre a importância do olhar para a saúde mental materna.”
“A partir desse marco no calendário, enquanto campanha, que a gente consiga, daqui a algum tempo, ter uma sondagem das gestantes com risco de depressão na gestação e pós-parto, que a gente tenha um acompanhamento puerperal para essa mãe, que visa diminuir os riscos de sofrimento mental”, avalia Ana Carolina.
Atualmente, cerca de 20 mulheres integram o grupo londrinense do Maio Furta-Cor, que se reúne em espaços como o Sesc Cadeião para rodas de conversa e palestras, além de troca de informações em grupos de WhatsApp.
“Somos um grupo de mulheres-mães, de diversas profissões, que viu a importância de conversar sobre a desconstrução da maternidade idealizada e a saúde mental das mães. Justamente por conversarmos com outras mães, nas portas das escolas, percebemos que temos muitas similaridades de vivência, de sentir a maternidade de forma solitária, de percebemos que nas propagandas e filmes tudo é muito idealizado e que a nossa realidade é outra.”
“Que além de mãe, somos mulheres, esposas e profissionais. A gente sentia a necessidade de falar sobre isso, mas não encontrava espaço, daí surgiu a necessidade de a gente trazer para Londrina e debatermos sobre isso”, explica Ana Carolina.
“A gente está muito contente com a aprovação dessa lei, imaginando que a partir daí a gente vai conseguir mais facilmente fomentar na sociedade esse tipo de discussão, aumentar o número de ações durante o mês de maio, para que isso é que a gente realmente aumente essa voz”, conclui a psicóloga.
Maio Furta-Cor é campanha democrática
Segundo a vereadora Flávia Cabral, o Maio Furta-Cor é uma campanha democrática, apartidária e sem fins lucrativos. “Ela tem um objetivo lindo, que é sensibilizar a população para uma causa muito importante, que envolve a saúde mental materna. Nós trouxemos esse assunto à Câmara de Vereadores para torná-lo perene, porque sabemos que existe um forte estigma social ligado ao tema da saúde mental que precisamos debater.”
“Essa é uma iniciativa muito bonita, porque muitas mulheres apresentam sintomas de depressão depois do nascimento de seus bebês e ter uma rede de apoio e orientação é muito importante para ajudá-las. Orientei as mulheres do grupo Maio Furta-Cor Saúde Mental Importa a buscarem a formalização, para que outras pessoas também conheçam essa causa”, declara o prefeito Marcelo Belinati.
(Com informações da assessoria de comunicação da Prefeitura de Londrina)
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