Reconheça riscos, sinais e atue na prevenção de abusos

Por Saraí Brito*

Crianças com deficiência estão entre os grupos mais vulneráveis da sociedade, enfrentando riscos aumentados de negligência, abuso físico, psicológico e sexual. Essa vulnerabilidade é agravada por fatores como dependência de cuidadores, dificuldades de comunicação, isolamento social e, em muitos casos, a subvalorização de seus relatos por parte de adultos.

Entre os principais riscos, destacam-se:

1. Dependência de terceiros: crianças com deficiência frequentemente necessitam de ajuda para atividades básicas, o que pode colocá-las em situações de maior exposição a abusadores.

2. Isolamento social: muitas vezes, essas crianças participam menos de atividades comunitárias ou escolares, o que dificulta a detecção de sinais de abuso.

3. Falta de acesso à informação: a ausência de materiais adaptados sobre direitos e proteção pode impedir que a criança reconheça e denuncie abusos.

Um dos materiais da campanha #MaioLaranja de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil

Sinais de alerta

É importante estar atento a sinais que podem indicar abuso, tais como:

– mudanças bruscas de comportamento, como retraimento, agressividade ou medo incomum de determinadas pessoas ou lugares;

– ferimentos inexplicáveis, hematomas ou queixas frequentes de dor;

– regresso a comportamentos infantis, como enurese (xixi na cama) ou sucção do dedo;

– dificuldade de dormir ou pesadelos constantes;

– relatos, mesmo que vagos, sobre situações desconfortáveis ou “segredos” com adultos.

Prevenção e proteção

Para prevenir o abuso e proteger as crianças com deficiência, são necessárias ações coordenadas entre famílias, escolas, profissionais da saúde e a sociedade em geral.

Educação e empoderamento: ensinar às crianças, de forma acessível, sobre seus direitos, sobre o corpo e como identificar situações de risco.

Capacitação de profissionais: professores, cuidadores e agentes de saúde devem ser treinados para reconhecer sinais de abuso e saber como agir.

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Rede de apoio: é fundamental garantir que essas crianças tenham múltiplas fontes de apoio confiáveis, com quem possam conversar.

Ambientes inclusivos e seguros: promover a inclusão social e educacional ajuda a reduzir o isolamento e aumenta a vigilância natural por parte da comunidade.

Escuta ativa e validação: quando uma criança com deficiência relata algo preocupante, deve ser ouvida com atenção e levada a sério.

Proteger crianças com deficiência é um dever coletivo. Criar ambientes inclusivos, seguros e atentos é essencial para garantir seus direitos, sua dignidade e seu pleno desenvolvimento.

*Saraí Brito é mãe atípica, fundadora da ONG Autimizar