Por Beatriz Hernkenhoff*
Os cinco sentidos (paladar, olfato, visão, audição e tato) tornam nossa vida mais potente e sincronizada com o amor.
Quando um deles não funciona, os demais se unem lindamente para compensar a perda.
Aqueles que perderam a visão desenvolvem o tato para conhecer e reconhecer o mundo.
O tato cura e desperta sensações em todo nosso ser.
Mãos criativas e talentosas! Brincam, desenham, pintam e bordam.
Fazem esculturas e buracos nas areias da praia.
Mãos que se comunicam pela linguagem de sinais.
Mãos que se expressam através da música, da poesia, da dança e da arte.
Mãos que nos envolvem ao se comunicar pelo som do violão, do violino, do piano, da bateria, dos tambores, triângulos, pratos e chocalhos.
Mãos que descortinam a beleza do mundo ao escalar montanhas, navegar, nadar e mergulhar nos rios e mares.
Mãos que nos envolvem nos esportes: vôlei, tênis, handball, frescobol, basquete, entre outros.
Mãos que nasceram para amar e que, muitas vezes, abusam, agridem, maltratam, destroem e matam.
Mãos que precisam ser detidas e redirecionadas para que o amor volte a fluir e transformar.

Mãos que cuidam de crianças, jovens, adultos e idosos. Mãos que protegem os animais, as plantas e o nosso planeta.
Mãos que escrevem poemas, poesias, contos e crônicas. Anunciam um mundo novo e denunciam as suas atrocidades.
Mãos que introduzem as crianças no mundo das letras.
Mãos que salvam vidas nas enchentes, nos incêndios, nos terremotos e nas guerras.
Mãos precisas e seguras ao realizar uma cirurgia e possibilitar a cura.
Mãos que se colocam à serviço nos postos de saúde, nos prontos socorros e nos hospitais.
Mãos que se estendem para levantar aqueles que estão sofrendo.
Mãos que cumprem sua missão em lugares distantes nos campos, nas florestas e nas cidades.
Mãos que acariciam, acolhem, confortam, oferecem proteção e segurança para as crianças de todas as raças e etnias.
Mãos que fotografam e registram nossa história. Momentos significativos que não podem ser esquecidos.
Mãos que plantam, colhem e incluem. Reflorestam, resgatam nascentes e salvam animais em extinção.
Mãos que em sintonia com o olhar, o olfato e o paladar produzem pratos deliciosos que geram alegria, prazer e união.
Culinária que resgata a cultura de um povo, que preserva a tradição e transmite legados.
Mãos que participam de cozinhas e hortas comunitárias e matam a fome de muitos.
Mãos que acariciam, dão prazer e gozo.
Mãos que se unem para orar, louvar, agradecer e abençoar. Para incluir e respeitar as diferenças.
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Ivan Lins nos convida a transformar nossas mãos em fonte de luz:
“Mãos que apuram os fatos. Mãos que amparam o parto
Mãos amorosas unindo os casais. Mãos que têm alma nos dedos
Mãos que desvendam segredos. Mãos generosas com plantas e
animais. Louvadas e livres sejam as mãos. Lutai, lutai por nós.
Benditas e santas sejam as mãos. Cuidai, cuidai de nós. Mãos de
todas as raças. Mãos levantadas nas praças.
Mãos que aprenderam a falar por sinais. Mãos carregadas de afeto
Mãos que estão sempre por perto. Mãos que se elevam aos céus
por seus ais.”
Que Deus nos guarde na palma de sua mão, conforme a benção irlandesa: “Que o caminho seja brando a teus pés, o vento sopre leve em teus ombros. Que o sol brilhe cálido sobre tua face, as
chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja, Deus te guarde na palma de sua mão.”
*Beatriz Herkenhoff é assistente social. Professora aposentada do Departamento de Serviço Social da UFES. Com doutorado pela PUC-SP. Autora do livro: “Por um triz: Crônicas sobre a vida em tempos de pandemia” (2021) e “Legados: Crônicas sobre a vida em qualquer tempo (2022)
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