Vitor Hugo Fernandes foi morto aos 25 anos; parente diz que ele era perseguido por policial
Nelson Bortolin
Foto: Reprodução/Álbum de família
A versão oficial é de que Vitor Hugo Fernandes, de 25 anos, que estava foragido da Justiça, correu para dentro de uma casa, em Sertanópolis, ao perceber que seria abordado pela Polícia Militar. Isso foi no último dia 5 de julho.
Os policiais o perseguiram e, dentro de um dos quartos do imóvel, o jovem teria sacado um revólver 38 e apontado para os agentes, que o mataram alegando legítima defesa.
Mas a família de Fernandes tem outra versão para a morte em Sertanópolis.

Desde adolescente, ele seria perseguido por um policial militar da cidade. “Não estou dizendo que meu irmão era um santo, nem inocente. Ele estava envolvido com coisas erradas desde novo”, afirma um familiar que prefere não se identificar, alegado que o PM é uma pessoa temida na cidade.
Há alguns anos, ao sair de uma audiência no Fórum de Sertanópolis, o jovem teria sido levado pelo policial para a beira de um rio onde sofreu tortura. E depois, segundo o familiar, teve drogas plantadas em sua roupa, o que teria resultado numa prisão em flagrante.
De acordo com o parente, vizinhos viram quando os policiais, inclusive aquele que perseguia o jovem, entraram na casa. E só ouviram tiros depois de 10 ou 15 minutos. O familiar alega que não havia marcas de tiro no quarto, só uma poça de sangue no chão, o que faz a família acreditar em execução e não em confronto. Junto com Fernandes, foram apreendidos um revólver 38, drogas, dinheiro e uma balança.
“Fui reconhecer o corpo. Tinha pelo menos uns quatro tiros, um no olho, outro na testa, um no pescoço e um no abdome”, conta. Como o jovem estava muito desfigurado, a família preferiu fazer o velório com o caixão fechado. Os familiares contrataram advogado para contestar a versão da polícia.
Questionada se algum vizinho da casa onde ocorreu a morte vai servir de testemunha, a pessoa se diz em dúvida: “Não sei. Todo mundo tem muito medo desse policial.”
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