*Por: Vinícius Fonseca
Existe um velho ditado popular que diz: “A oportunidade faz o ladrão”. Esse texto não será, portanto, sobre oportunidades de melhoria da condição de uma pessoa com deficiência (PcD) na sociedade, mas uma outra espécie de oportunidade, que revela como nós precisamos melhorar como pessoas.
A fraude no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) tem tomado as páginas dos veículos de imprensa nas últimas semanas. Mais um caso de corrupção de longa data em nosso País, que parece fazer disso uma prática. Que bom que agora, ao menos, temos órgãos federais dispostos e com liberdade para investigar e recomendar punições aos envolvidos.
Foi em razão dessas investigações e alguns dos relatórios divulgados que nasceu em mim a vontade de escrever o presente texto. Segundo relatório da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) moradores de zonas rurais com dificuldades para se deslocar até um posto da Previdência Social, pessoas com deficiência, doentes com impossibilidade de locomoção, indígenas e analfabetos foram alguns dos públicos mais afetados pela ação fraudulenta na autarquia.
A falta de escrúpulos da gente envolvida nesse esquema chega a dar náusea. Aproveitaram-se da fragilidade de quem não teria condições de reclamar, questionar descontos, conhecer e ir atrás de seus direitos. A oportunidade perfeita para o enriquecimento ilícito, mas que revela algo muito maior do que a própria oportunidade em si.
Os diferentes públicos, entre os mais afetados, têm algumas coisas em comum. Sua fragilidade, sua falta de acesso e sobretudo sua falta de “voz” ativa na sociedade. A fraude no INSS escancara, como são vistas essas pessoas por parte significativa da nossa sociedade. Alguém que não pode reclamar e por essa razão é alvo fácil de nossos preconceitos e crimes.
Isso precisa mudar. Mas, sinceramente, dificilmente vai. O Brasil tem a oportunidade de passar a limpo sua corrupção, de dar voz aos vulneráveis, de mudar como sociedade, e mudar para melhor. Só que essa oportunidade exige esforço, comprometimentos. E oportunidades difíceis, como essa, não faz ladrão nenhum.
*Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente, ou quase…
