Grupo faz bazares e campanhas para custear viagem à capital federal, onde será realizada a 2ª Marcha das Mulheres Negras em 25 de novembro
Nelson Bortolin
Mulheres negras de Londrina estão se mobilizando para participar da 2ª Marcha das Mulheres Negras, que será realizada no dia 25 de novembro, em Brasília. O movimento faz parte da Marcha Mundial das Mulheres Negras e Afro-Caribenhas. A meta é reunir 1 milhão de participantes na capital federal, vindas de todo o Brasil e de outros países da América Latina, da África e dos Estados Unidos.
Para custear a viagem, o grupo londrinense tem organizado bazares de roupas e artesanato. “O objetivo é arrecadar dinheiro para o ônibus, para levar o máximo de mulheres negras para Brasília”, explica a professora Vera Luci Lisboa, militante do Movimento Negro Unificado.
Segundo ela, caravanas de várias regiões já estão confirmados. “Joinville já tem três ônibus, Curitiba dois e Foz do Iguaçu conseguiu pelo menos três. Tem um pessoal bem estruturado. Vai gente do Brasil inteiro e de fora também”, relata.
Tema: reparação e bem-estar
O mote da edição deste ano é “reparação e bem-estar”. Para Vera Luci, a escolha do tema reflete a luta histórica das mulheres negras no país.
“A mulher negra enfrentou todas as situações no Brasil. Agora, a marcha é para pensar no bem-estar social, na reparação que ela precisa e no lugar que deve ocupar”, afirma.
Embora o movimento seja protagonizado por mulheres negras, ele é aberto à participação de outros grupos.
Dificuldades de participação
De Londrina, a expectativa é levar ao menos um ônibus, com apoio de funcionárias, professoras e estudantes da UEL. Mas a organização reconhece os obstáculos. “A grande maioria das mulheres do serviço público não tem liberação para sair no meio da semana. A viagem exige praticamente cinco dias, entre ida e volta. Isso dificulta a participação em massa”, explica Vera Luci.
Ainda assim, ela reforça que o esforço vale a pena. “Se conseguirmos reunir um milhão de mulheres em Brasília, será uma visibilidade enorme. Mas também defendemos que possam ser feitas marchas locais para ampliar a participação.”
Como ajudar
Além de adquirir produtos nos bazares, interessados em apoiar a mobilização podem contribuir pela internet no site do movimento ou nas redes sociais. “As pessoas podem procurar o perfil da Marcha Mundial das Mulheres Negras no Instagram, onde há vaquinhas online e cadastros para concorrer a vagas no ônibus”, orienta Vera Luci.
Para ela, a marcha será histórica. “Fazemos isso para mostrar que queremos viver com dignidade, ocupar espaços que são nossos por direito e ter acesso à reparação social. É a luta pela vida das mulheres negras.”
