Ao todo, foram cerca de 20 ações espalhadas por todo o Estado como parte da campanha nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra para as festas de fim de ano
Da redação
Foto em destaque: Juliana Barbosa/MST
Arroz, feijão, batata-doce, abóbora, mandioca, fubá, suco, verduras e até iogurte. A diversidade de alimentos produzidos por camponeses do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná fez parte da ceia de Natal de milhares de famílias que vivem em situação de vulnerabilidade na zona urbana.
Ao todo foram mais de 20 ações da campanha “Natal Sem Fome e Solidário”, em que famílias assentadas e acampadas em áreas da reforma agrária partilharam cerca de 35 toneladas de alimentos. Também foram doados 700 litros de iogurte e 4 mil marmitas. A maior parte das doações ocorreu entre os dias 22 e 23 de dezembro. A campanha segue até dia 10 de janeiro, em todo o Brasil.
Em Londrina, na manhã da quinta-feira (22), 9 mil quilos de alimentos foram doados em seis comunidades do município, totalizando 600 cestas de alimentos e 700 litros de iogurte da marca da reforma agrária Campo Vivo. Foram atendidas famílias das comunidades São Jorge, Vista Bela, Turquino, Maracanã, Califórnia e Novo Amparo.
A ações ocorreram a partir das doações dos acampamentos Maila Sabrina, de Ortigueira, Herdeiros da Luta de Porecatu, Manoel Jacinto Correio e Zilda Arns, de Florestópolis, Fidel Castro, em Centenário do Sul, e dos assentamentos Maria Lara, de Centenário do Sul, Dorcelina Folador, de Arapongas, e Eli Vive, de Londrina e Assentamento Guanabara, de Tibagi.
A iniciativa ocorre pelo terceiro ano consecutivo, como forma de contribuir para o enfrentamento da crise humanitária que o País enfrenta por conta da dissolução de políticas públicas por conta do governo federal, agravada pela pandemia da covid 19.
Já são 33,1 milhões de brasileiros que não têm o que comer todos os dias e mais da metade do povo (58,7%) convive com insegurança alimentar leve, moderada ou grave, segundo dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar de 2022.









MST pratica a solidariedade no dia a dia
A camponesa Bruna Zimpel, moradora do acampamento Terra Livre, de Clevelândia, integra a direção nacional do MST e conta que a solidariedade é vivida no dia a dia pelas famílias acampadas e assentadas.
“Com o agravamento da crise social e a pandemia, essas ações foram construídas para além dos nossos territórios, beneficiando muitas famílias trabalhadoras urbanas de todo o país”, relata Bruna, ressaltando que a solidariedade se ampliou nos últimos quatro anos.
Em campanhas de solidariedade, o MST do Paraná já partilhou mais de 1 milhão de quilos de alimentos saudáveis e cerca 180 mil marmitas desde abril de 2020. Para o movimento, a vitória de Lula nas urnas significa a renovação das esperanças de superar a miséria no país: “Mas há muito por se fazer agora”, reforça Bruna.
Para o morador do acampamento Herdeiros da Luta de Porecatu Igor de Nadai, há força na parceria entre a militância do MST e a população urbana da periferia. Ele também é diretor do MST do Paraná e chama atenção para o fato de ser a primeira ação massiva neste período em que a pandemia está mais branda.
“Demonstra que a política de solidariedade do movimento é permanente e enquanto houver fome e for uma necessidade da classe trabalhadora da cidade, o MST vai estar ali”, garante Igor.
A esperança é um ingrediente a mais que esteve presente nas dezenas de sacolas partilhadas: “Apesar desse cenário terrível, é uma ação que busca trazer esse sentimento de esperança que está todo mundo vivendo com esse novo governo que está vindo. Essa ação de Natal e de final de ano é para renovar a esperança do novo ciclo que vem aí”, diz o militante.
Alimentos orgânicos para Comitês Populares
Cleusa Maria de Souza é moradora do Assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte. A comunidade partilhou 250 quilos de batata-doce livre de agrotóxicos com as cozinhas de Comitês Populares de Paranavaí.
“Essa produção de barata é orgânica e do trabalho familiar. Toda a família ajuda na hora do trabalho, na hora da colheita. E quem receber esse alimento, que faça bom proveito”, diz Cleusa.
“Nós queremos agradecer a todos aqueles que confeccionaram, que plantaram, que embalaram essas cestas”, comemora Eduardo Fabrício Andrade, morador da Comunidade dos Missionários do Bom Pastor, de Piraquara. Cerca de 100 cestas chegaram às mãos de famílias moradoras de ocupações da região que vivem em situação de vulnerabilidade social.
Marmitas da Terra e Cestas Esperança partilhadas em Curitiba
Na quarta (21) e quinta (22), o coletivo Marmitas da Terra partilhou 4 mil quentinhas nas praças Rui Barbosa e Tiradentes, em Curitiba, e comunidades da Capital e Região Metropolitana.
A ação chegou aos 180 mil almoços distribuídos desde o início da pandemia. A maior parte dos alimentos servidos nas marmitas vem de mutirões agroecológicos realizados pelo coletivo no Assentamento Contestado, na Lapa, orientados pela Escola Latino-Americana de Agroecologia (ELAA). De outubro de 2020 até agora, foram colhidas mais de 16 toneladas de comida saudável.
Consumidoras e consumidores do Produtos da Terra, assim como entidades parceiras, fizeram doações de 120 Cestas Esperanças para rechear a mesa de famílias da Ocupação 29 de Janeiro e Ocupação Alvorada II, no bairro Uberaba, e Associação Xapinhal, no bairro Xapinhal.
A iniciativa Produtos da Terra, responsável por comercializar os produtos da Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Economia Solidária em Curitiba e Região Metropolitana, mobilizou a arrecadação de recursos com seus consumidores e entidades parceiras para a montagem de cestas especiais para doação.
Cada Cesta Esperança foi recheada com 19 delícias, desde arroz e feijão, leite, legumes e hortaliças fresquinhas até produtos especiais, como o panetone produzidos pelas padarias comunitárias da Rede Fermento na Massa.
Ainda na quinta-feira, as famílias do Assentamento Contestado e o Coletivo Marmitas da Terra doaram 100 cestas de alimentos para a Casa de Passagem Indígena, em Curitiba, e para a Comunidade dos Missionários do Bom Pastor, em Piraquara. No total, 1 tonelada de alimento foi doada.
Nas cestas partilhadas, havia uma variedade de legumes, verduras agroecológicas, farinha de milho, suco de uva e ovos. À noite, também foram distribuídas cerca de 100 cestas com arroz integral agroecológico, suco de uva, abobrinha e escarola.
As ações do MST se estenderam por Guarapuava, Porecatu, Florestópolis, Santa Mariana, Francisco Beltrão, Dois Vizinhos, Pato Branco, Paranavaí, Imbaú e Matelândia.
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