Por Beatriz Herkenhoff*
O corpo fala! Canta e dança a alegria de viver e a dor do existir.
O corpo expressa aquilo que nossos lábios calam.
Deixa sair os sentimentos mais profundos, guardados, lacrados, silenciados pelo medo, pela insegurança e pela baixa autoestima.

O corpo carrega feridas não cicatrizadas. Mas também conquistas e superações.
O corpo é o nosso sustentáculo. Nossa espinha dorsal. Nosso guia e nosso farol! Nosso ponto de equilíbrio, de confiança e esperança.
O corpo nos mobiliza e também nos paralisa.
Quantas vezes ignoramos os pedidos de socorro emitidos por nosso corpo? Exigimos mais do que ele pode dar e não percebemos que está esgotado!
Excesso de atividades, de exercícios, de trabalho, de álcool, de alimentos.
Excesso de egoísmo, de individualismo e indiferença.
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Quando negamos esse diálogo com o corpo, ele adoece, fica fragilizado e sem rumo.
É preciso parar para ouvir nosso corpo. Que desejos se manifestam? Que motivações? Que cansaços? Quais tristezas? Quais tristezas, alegrias, frustrações e superações?
O corpo nos envolve com sua potência e vontade de viver. Pede um abraço, um toque, um aconchego, um carinho e um cuidado.
Um gesto de amor, de alegria, de prazer, de cumplicidade, de acolhimento, de reconhecimento e compromisso.
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O corpo busca seu eixo, respira fundo e renova o seu querer.
Em outros momentos, o corpo pede um afastamento, um isolamento, um descanso, uma oportunidade para se refazer.
O corpo pede para cessar a violência, as ameaças de morte, o extermínio da população negra, LGBTQIA, dos povos indígenas, entre outros.
O corpo pede mais gestos de amor e menos exclusão.

O corpo resiste, fica indignado, solidariza-se com outros corpos maltratados e abandonados.
O corpo busca a luz, o movimento, a expansão e a expressão de sua essência.
O corpo está integrado ao universo, à natureza, ao nosso planeta, às árvores, às florestas, aos animais terrestres, aquáticos e aéreos. Nossas atitudes refletem atotalidade, e o contrário é verdadeiro, somos afetados quando o universo está em desequilíbrio.
O corpo em sua dimensão espiritual é instrumento do amor de Deus que se manifesta em cada gesto.
Simultaneamente, o corpo absorve todas as emoções e dores psíquicas. Muitas vezes sofre e fica acorrentado ao passado. Quer desistir, perde a perspectiva de viver o presente em sua inteireza.
Que questões você acrescentaria a partir do diálogo com seu corpo?
O autocuidado não gira em torno do egoísmo e do narcisismo. Ele nos convida ao cuidado e à solidariedade coletiva.
*Beatriz Herkenhoff é assistente social. Professora aposentada do Departamento de Serviço Social da UFES. Com doutorado pela PUC-SP. Autora do livro: “Por um triz: Crônicas sobre a vida em tempos de pandemia” (2021) e “Legados: Crônicas sobre a vida em qualquer tempo (2022)
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