O que fazer quando a palavra silencia?
Quando a palavra silencia somos convidados a ouvir o silêncio.
Observar e sentir o silêncio.
Respirar, inspirar e silenciar.
A palavra precisa calar, ser cuidada e ser acolhida.
Calar para ouvir, para observar, para processar, para dialogar silenciosamente.
A palavra é poesia, música, teatro, cinema, literatura, ensino e aprendizado.
A palavra registra a história, os fatos e os acontecimentos.

Foto: Carlos Monteiro
Ora diz a verdade, ora mente.
Esconde e evidencia. Acolhe e afasta.
Forma, informa e deforma.
Transforma e é transformada.
Tira e acrescenta.
Eleva e
Reconhece e desqualifica.
É aprendizado, avanço e retrocesso.
Ora fere e magoa, ora cura e faz renascer.
A palavra sensibiliza, gera emoção, permite o choro, o consolo, a omissão e a missão.
Anuncia e denuncia. É corajosa e destemida.
E quando o ofício depende da palavra?
E quando a palavra fica engasgada?
Acolha, aceite, silencie.
A palavra também precisa ser cuidada.
A palavra é fonte de alegria, prazer e dor.
Precisa descansar e silenciar, construir e desconstruir.
Possibilita a confusão, a antítese e a síntese.
O aprisionamento e a libertação.
A elaboração de tratados que garantem a paz e a justiça. Mas, também acordos que geram guerras e destruição.
Que a palavra possa voar como águia. Com a elegância, o vigor, o poder, a resistência e a força da águia.
Levar boas novas para os lugares mais distantes.

Foto: Carlos Monteiro
Voar com altivez, com esperança, espalhando o amor e a certeza de que novos recomeços nos aguardam.
Que a palavra seja bendita, que abençoe, que semeie o bem viver.
Que a palavra se manifeste em seu poder afetivo e transformador.
Que nos sensibilize e nos tire do egoísmo e do isolamento.
Que a palavra resgate o diálogo e os caminhos para construção de um mundo melhor.
Que a palavra fortaleça a nossa fé, humildade, capacidade de servir e amar.
Que a palavra seja fonte de sabedoria.
Que a palavra seja resistência.
Que a palavra enfraqueça o medo, leve embora a tristeza e restaure a plenitude da vida.
*Beatriz Herkenhoff é assistente social. Professora aposentada do Departamento de Serviço Social da UFES. Com doutorado pela PUC-SP. Autora do livro: “Por um triz: Crônicas sobre a vida em tempos de pandemia” (2021) e “Legados: Crônicas sobre a vida em qualquer tempo (2022)
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Bia, Bia, menina sabida danada. Estou daqui aplaudindo sua crônica, apaixonada, densa e até um tanto hipnótica. Quanta convicção você colocou no texto! *A palavra é fonte de alegria, prazer e dor*. Que síntese!
Só para lembrar, duas citações. Primeiro Maeterlinck “A palavra é tempo, o silêncio eternidade”. Depois vamos aos Evangelhos e encontraremos, em Mateus 15.10-11 “O que contamina o homem não é o eue entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.”
Portanto, gentil menina, seu trabalho é de qualidade, sim senhora.
Gratidão Alcir. Estou sem palavras! Impactada com suas palavras. E repetiria sua cituapção do evangelho: o que contamina o homem é o que sai pela boca. Por isso que em alguns momentos é melhor silenciar.
O silêncio em meio a um conflito não é sinal de covardia e sim de sabedoria.
Retroceder não é sinal de derrotado é simplesmente a chance de você se reposicionar.
Parabéns Beatriz!
Amei sua reflexão Elias! O silêncio não é sinal de covardia e sim de sabedoria. Que possamos silenciar sempre! Que possamos retroceder com humildade e recomeçar sempre.
Gosto de ler o que você Beatriz escreve: assertividade, profundidade, convite à reflexão, mas e acima de tudo poesia e inspiração que nos inspira e nos faz transmissão!!
Gratidão Celeste por palavras tão bonitas e de reconhecimento das letras que brotam em mim. Que eu possa seguir esse caminhar