por Melissa Campus, atriz e produtora cultural londrinense, atualmente morando em Milão, Itália
Jamais deixei de acreditar na minha origem e aprendi que “Quando não encontramos as oportunidades, podemos criá- las”.
Em 2007, minha irmã Angelica encontrou o documento de meu bisavô italiano nascido na província de Treviso.
Iniciei a minha busca pelo direito ao reconhecimento da Cidadania Italiana pela lei “Jus -Sanguini”, promessa que Itália fez aos “Filhos de seus Filhos” imigrantes em outros países, imigrados nos tempos de crise e guerras históricas.
Em 2009 voltei ao Brasil para conseguir a legalização junto ao Consulado Italiano de Curitiba de minha arvore genealógica. Consegui completar o processo em 2014, mas não consegui voltar à Itália na época.
Em 2011, meu pai, André, falece por motivos de saúde. Um pensador que me ensinou a “Pensar na Vida” e me deixou meu sobrenome italiano como herança.
Com generosidade compartilhei minha árvore genealógica com familiares distantes até então desconhecidos no Brasil, ampliando o contato familiar.
Sou orgulhosa deste fato, divisor de águas na vida de toda nossa família.
Em 2012, em parceria com Christiane Lemes, fundamos o Coletivo Elitytrans na luta por direitos e contra as transfobias cotidianas e iniciamos nossa trajetória na militância em Londrina.
Em 2013 entrei para a Cia. de Teatro de Garagem, onde aprendi a ser atriz e iniciei minha trajetória artística. Aprendi a produzir arte e poesia para sobreviver, sempre pensando em voltar para a Itália . Mesmo com as dificuldades de ser artista no Brasil jamais deixei de acreditar no poder da poesia.
Em 2016, do encontro com Diretor Luam Almeida Sales, surge o Espetáculo solo GrazziEllas. Conheci a “Dramaturgia da Lembrança”, de Aguinaldo Moreira de Souza, assim consegui maior visibilidade no cenário artístico e teatral londrinense.
Em 2019, meu produtor, Rafael Avansini, escreveu o projeto de intercambio “GrazziEllas Transitando” pelo Promic (Programa Municipal de Incentivo a Cultura), que resultou na aprovação em 1° lugar criando uma nova concepção da escrita de projetos culturais na área de intercâmbio.
Assim surge a 1a travesti proponente na lista de aprovados do Promic.
Executamos o projeto brilhantemente e entrei para o roll de produtores culturais como a 1a Travesti Produtora e conselheira cultural na história de Londrina: Gratidão, Rafael, por acreditar em mim e não me deixar desistir.
Em 23 de Janeiro deste ano embarquei em Guarulhos para Malpensa – Milão. Pisei em solo italiano e respirei aquele ar com sensação de estar sonhando.
Minha amiga Milena me recebeu com alegria em seu apartamento no centro de Milão e me orientou com a burocracia italiana. Tive de enfrentar a pandemia da Covid-19 e iniciar o passo a passo burocrático, mas não importava pois eu havia colocado meus pés em solo italiano.

Depois de uma década de luta e esperança em dias melhores posso dizer que esta semana foi vitoriosa em minha vida.
Graças às orações de minha mãe e família, a meus amigos que me impulsionaram com energias positivas, à minha fé e às bençãos de Nossa Senhora Aparecida.
Posso dizer que agora terei segurança, meus desejados dias melhores e finalmente, Paz.
Conheça o passo a passo burocrático:
- Meu “Codice Fiscale” (CPF italiano) na Agência Del’Entrata (Policia Fereral) – 1° passo.
- O “Contratto de uso Abitativo” (contrato de locação) na Comuni (Prefeitura) em questão, para obter a residência italiana – 2° passo.
- Pedido de registro do contratto de uso abitativo na Agência Del’Entrata da Comuni onde assinamos contrato de locação – 3° passo.
- Pedido formal de Reconhecimento de Residência italiana na Comuni de habitação – 4° passo.
- Marcar horário na Comuni de habitação para entregar os documentos originais (Apostila de Haia) e solicitar a Cidadania Italiana – 5° passo.
- Concessão do Permesso di Soggiorno, Identidade e Passaporte Italiano – 6 °passo.

